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A igreja local é corpo ou parte do corpo de Cristo? Vinicius Oliveira, Rio de Janeiro – RJ

Caro Vinicius, A Igreja Universal, que é composta de todos os santos é o corpo de Cristo. As igrejas locais são expressões deste mesmo corpo em determinada localidade. Ou seja, uma igreja local sozinha não tem todos os membros do corpo de Cristo, pois em uma mesma cidade há várias igrejas locais e isto em quase todos os países do mundo. Portanto, apesar de expressar localmente o corpo de Cristo, cada igreja local é parte e não o todo de Seu corpo.

“Meus irmãos, se alguém dentre vós se desviar da verdade e alguém o converter, sabei que aquele que fizer converter um pecador do erro do seu caminho salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados” (Tg 5:19,20). Isso significa que não podemos convencer os irmão que estão desviado da palavra de Deus? Eu não entendi esta passagem, podem me ajudar? Igor Passos, Manaus – AM

Caro Igor, Neste versículo Tiago está se referindo aos que se desviaram da verdade. Isto pode se aplicar ao cristão ao cristão professo que na realidade não nasceu de novo ou ao cristão nascido de novo que tenha caído em algum pecado e que, portanto, deve ser reintegrado à comunhão na igreja. Isto em si já responde sua pergunta, pois mostra que é possível resgatar do erro um irmão desviado das verdades contidas na Palavra de Deus e salva-lo de viver no erro.

Em Apocalipse 21, João descreve a Nova Jerusalém. Gostaria de saber sua opinião sobre as matérias (ouro, cristais, outras pedras preciosas etc.). Penso ser tudo isso, meramente figurativo. Estou certa, ou será assim de fato? Leila Arruda Pereira, Betim – MG

Há os que creem que estes materiais preciosos são literais e os que creem que eles são figurativos. Estes últimos chegam ao ponto de afirmar significados espirituais para cada um deles. Minha opinião é que não podemos ser dogmáticos a respeito deste assunto, pois podem ser reais ou figurados. A minha preocupação não é se são figurados, mas a s interpretações que dão significado extra bíblicos aos materiais. Creio que não devemos ir além daquilo que a Bíblia diz. Quando eu era criança e frequentava a classe de crianças havia uma professora que queria nos atrair ao céu pelo fato que lá andaríamos em ruas de ouro etc. Para ser sincero eu achava meio sem graça aquela estória de andar pisando em ouro. Na minha mente não fazia a mínima diferença pisar o ouro ou o chão batido. Na verdade eu acho que preferiria o último, principalmente depois de uma boa chuva! Tenho para mim que a Nova Jerusalém terá sim todos os materiais descritos e será linda! Mas, para mim, a questão principal na Nova Jerusalém não é sua riqueza, mas a bendita presença do nosso Senhor ali. Isto sim dá imensurável valor àquela cidade. E mais, mostra que diante da sobre-excelente glória do nosso Senhor o ouro e outras preciosidades não servem senão para serem usados como material de construção.

Existem cristãos sensitivos? Até que ponto isso é bom? Dyana, Catanduva - SP

Começarei a responder sua pergunta com a definição que o Aurélio dá para a palavra sensitivo. Vejamos: Sensitivo [Do lat. *sensitu, por sensus, part. pass. do v. lat. sentire, ‘perceber pelos sentidos’.] Adjetivo. 1.Relativo ou pertencente aos sentidos. 2.Que tem a faculdade de sentir: órgão sensitivo. 3.Que se faz sentir; que produz impressão. 4.Fisiol. Que tem a capacidade de receber estímulo (1). ~ V. nervo —. 5.Fig. V. sensível (8). Substantivo masculino. 6.Fig. Indivíduo sensitivo (4). Podemos ver que no sentido fisiológico da palavra todos os seres vivos são “sensitivos”, pois podem perceber várias coisas através dos sentidos. Contudo não creio que este seja o viés da sua pergunta. Creio que esteja se referindo aquelas pessoas que se dizem sensitivas no sentido de perceber presenças espirituais que as outras nem ao menos notam. Então responderei a partir da minha suposição. Normalmente a palavra sensitivo traz a nossa lembrança coisas ligadas ao espiritismo. No espiritismo há aqueles que dizem poder sentir a presença de espíritos e alguns, segundo a doutrina espírita, teriam tal grau de sensibilidade ao ponto de discernir se o espírito é bom ou mau. Há também aquele tipo de sensitivo que poderia se comunicar com os espíritos dos mortos. Pois bem, sua pergunta é se existem cristãos sensitivos. Eu respondo que não! Não existe na doutrina bíblica nenhum exemplo de um irmão ou irmã sensitiva. Contudo, estou ciente que em algumas igrejas que se dizem evangélicas, que, pelas suas práticas, mais parecem um centro espírita, pessoas que agem como se tivessem poderes especiais de contactar e MANIPULAR o além. Em tais “igrejas” estas pessoas são tidas em tão alta conta que acabam por ter mais autoridade do que os próprios líderes. A verdade minha irmã, é que não creio ter cristãos nascidos de novo que possam ter o “dom” da sensitividade. Até creio que haja irmãos com o dom de Discernimento de Espíritos (cf. 1 Co 12:10), mas isto não tem nada que ver com ser sensitivo. Quanto ao dom de discernimento de espíritos veja o que nos diz o Comentário Ritchie do Novo Testamento: “Isto se refere ao dom de discernir se a mensagem era do Espírito Santo, ou se era de um espírito maligno, apresentada de tal maneira a parecer vir de Deus. Uma ilustração disto se encontra em Atos 16:16-18, onde a mensagem pronunciada pela jovem parecia genuína, mas Paulo discerniu que ela estava endemoninhada. Paulo no V. 3 deste capítulo, e João em 1 João 4:2,3, dão testes para descobrir a origem de qualquer ensino. Porem, parece que este dom era dado para discernir o espírito atrás da mensagem quando, aparentemente, parecia ser genuíno, como em atos 16” (Volume 7; p. 188). A segunda parte da sua pergunta é: “e até que ponto isto é bom?” Não creio que seja bom em nenhum sentido. Muita confusão tem sido causada nas igrejas por pessoas assim. Vejo por exemplo muitos absurdos sendo cometidos por orientações de tais pessoas. A liderança que dá espaço a este tipo de coisas na igreja local vai pagar um preço alto, pois acabará por ficar refém de tais pessoas. Sei de um caso em que um membro de uma igreja voltada para estas práticas. Este homem encontrava uma pessoa na rua e lhe contava detalhes da sua vida e dizia fazer isto pelo poder de Deus. Tempos depois este mesmo homem, que usava este poder sensitivo para “evangelizar”, ficou possesso de um espírito imundo. Isto mostra que o aquilo que ele praticava era ADIVINHAÇÃO e o praticava não pelo poder de Deus, pois ao ficar endemoninhado mostrou que não era um nascido de novo. A adivinhação é condenada pela Bíblia (cf.Dt 18:9-12; Lv 19:31), mas, apesar disto, em algumas igrejas os adivinhos, não são repreendidos. Em lugar disto, são colocados em lugar de destaque, pois atraem audiência para o espetáculo que erradamente é chamado de culto. É pela história acima, e por várias outras, que não creio que haja cristãos sensitivos. O nosso inimigo é muito astuto e não perderá a oportunidade de imitar as obras de Deus para confundir e desviar o povo de Deus da simplicidade da fé cristã.

Iniquidade, pecado e transgressão. Qual a diferença? Filipe, Rio de Janeiro - RJ

Caro irmão Filipe, O termo iniquidade abrange significados tais como ilegalidade, maldade, perversidade. As pessoas podem atingir tal grau de iniquidade ao ponto de se deleitar no erro. “O homem iniquo totalmente perverso, encontrando um deleite pecaminoso na prática da perversidade (Pv 21:10)” (O Novo Dicionário da Bíblia). Já os termos pecado e transgressão são praticamente sinônimos. A definição clássica do termo pecado é errar o alvo. “A característica mais notável do pecado, em todos os seus aspectos, é que é orientado contra Deus” (O Novo Dicionário da Bíblia). Ou seja, quem peca transgride e quem transgride peca. Transgredir é passar além daquilo que é certo. Isto é pecado Praticar a iniquidade também é pecar. De forma que estes três termos tem uma ligação bem forte uns com os outros.

Se alguém cometer um crime perante a sociedade e a igreja tentar encobrir esse assunto ficando só na disciplina da igreja, é errado? A pessoa tem que pagar pelo que ela fez ou só a disciplina da igreja basta? Lucas Fávaris, Piracicaba – SP

Caro Lucas, Creio que cabe a igreja disciplinar qualquer conduta errada de um membro. Deslizes na área moral, maledicência, mentira, rebeldia etc. devem ser tratados dentro da igreja entre os irmãos. Isto é fato. Mas ao se tratar de atitudes criminosas que vão contra as leis do nosso país é outra coisa. Sei do caso de um homem que abusou sexualmente de duas crianças que eram suas enteadas e a igreja tratou disto apenas no âmbito eclesiástico e ficou por ai. Ou seja, esta igreja agiu da forma pela qual a sociedade mundial tanto tem criticado a Igreja Católica Apostólica Romana. Ou seja, tratou de um crime previsto em lei apenas dentro do círculo eclesiástico. A punição dele foi passar um tempo em disciplina, afastado da comunhão e ministério, para depois seguir a vida numa boa, tanto no âmbito eclesiástico como no social. Já as duas pessoas que foram abusadas sofreram e certamente ainda sofrem as implicações psicológicas daquela atitude covarde e criminosa. Acho que já deu para você perceber que sou contra a igreja tratar de crimes apenas no âmbito eclesiástico, pois isto significa acobertamento e cumplicidade com o erro. Mas alguns dirão que é falta de amor deixar um irmão ir preso, pois a prisão é uma punição muito cruel etc. Isto é verdade, mas não pode ser usado para o acobertamento de crimes por um crente. Como todo cidadão, também o cristão deve responder pelos seus atos, pois todos nós, e muito mais o crente, sabe exatamente o que é certo e o que é errado. Paulo encontrou com Onésimo em Roma e tudo lá Onésimo se converteu. Tudo indica que Onésimo era um escravo que havia fugido e roubado o seu dono. Dentro das leis do Império Romano isto era um crime passível de morte. Qual foi a atitude de Paulo? Ele encobriu isto? Não!! Ele instruiu Onésimo a voltar para a casa do seu senhor e arcar com as consequências dos seus atos (cf. Filemon). Pedro escreveu: “Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem” (1 Pe 4:15). Ou seja, ele deixa claro que é possível o crente sofrer por suas atitudes erradas. Quando a Bíblia nos exorta a não levar o irmão perante tribunal humano, ela está se referindo a questões de âmbito pessoal. Desavenças, calúnias e provavelmente dívidas. O texto está assim: “Aventura-se algum de vós, tendo questão contra outro, a submetê-lo a juízo perante os injustos e não perante os santos?” (1 Co 6:1 – negrito meu). Já avisei na igreja onde sou um dos líderes que, no que depender de mim, crimes não serão acobertados. E se eu for chamado a depor falarei exatamente tudo àquilo que tiver chegado ao meu conhecimento. Somos o povo da verdade e a verdade deve prevalecer acima de tudo.

Segundo as escrituras, Jesus ressuscitou no terceiro dia após a sua morte (Lucas 24: 46). Onde estaria então o espírito de Jesus durante esses três dias? Há alguma referência bíblica nesse sentido? Cristina, Fortaleza - CE

Cara irmã, Apesar de não haver muitas indicações sobre este período, entendo, segundo as Escrituras, que o espírito do Senhor Jesus esteve em atividade durante os três dias nos quais seu corpo esteve na sepultura. Veja só o que escreveu o apóstolo Pedro: “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito, no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão” (I Pd 3:18,19 – negrito meu). Juntando o texto de Pedro com o que Paulo escreveu a igreja de Éfeso podemos tirar algumas conclusões. Vejamos o texto: “Por isso, diz: Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens. Ora, que quer dizer subiu, senão que também havia descido às regiões inferiores da terra? Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas.” (Ef 4:8-10 – negrito meu). Sei que não posso ser dogmático, pois há várias opiniões sobre o texto de Pedro. Contudo, a conclusão a qual cheguei é a de que Jesus foi ao Seio de Abraão (cf. Lc 16:22-26) e proclamou sua vitória aos espíritos dos crentes do Antigo Testamento que colocaram sua esperança no Messias (no Cristo – o Ungido) e, tirando-os daquele lugar provisório, levou-os para o céu.

Como era a vida dos leprosos após serem reconhecidos como imundos pelo sacerdote? Para onde eram mandados? Quais eram as regras para viver neste novo lugar? Poderiam voltar às vezes para ver a família? Cléber Custódio, Rio de Janeiro – RJ

Caro Cléber, É certo que o Senhor deixou como instrução para o povo de Israel para que os leprosos não habitassem juntamente com as pessoas sãs. Isto se deve ao fato de que a lepra é contagiosa. Com esta ordem Deus não estava perseguindo os leprosos, antes, estava evitando que a doença se tornasse uma praga a atingir muitas pessoas. Nos tempos bíblicos o diagnóstico de lepra era como uma sentença de morte e poderia ser comparado como o recebimento do diagnóstico de um câncer maligno nos dias de hoje. “Uma vez que o homem fosse estigmatizado como “leproso”, devia adotar uma postura de quem está de luto, deixando desgrenhados os seus cabelos, cobrindo a barba ou o bigode, e clamando: “imundo!” Devia viver fora do arraial, ou talvez em companhia doutros “leprosos” (cf. 2 Rs 7:3), mas sua existência nada mais era do que uma morte viva” (Levítico, Introdução e Comentário; R. K. Harrison, pg. 133). Veja alguns textos bíblicos que tratam do assunto em relação ao povo de Israel: “As vestes do leproso, em quem está a praga, serão rasgadas, e os seus cabelos serão desgrenhados; cobrirá o bigode e clamará: Imundo! Imundo! Será imundo durante os dias em que a praga estiver nele; é imundo, habitará só; a sua habitação será fora do arraial” (Lv 13:45, 46). “Ordena aos filhos de Israel que lancem para fora do arraial todo leproso, todo o que padece fluxo e todo imundo por ter tocado em algum morto; tanto homem como mulher os lançareis; para fora do arraial os lançareis, para que não contaminem o arraial, no meio do qual eu habito” (Nm 5:2,3). “Assim, ficou leproso o rei Uzias até ao dia da sua morte; e morou, por ser leproso, numa casa separada, porque foi excluído da Casa do SENHOR; e Jotão, seu filho, tinha a seu cargo a casa do rei, julgando o povo da terra” (2 Crônicas 26:21). Vemos, portanto, que não há elementos bíblicos para responder a todas as suas perguntas. Vemos que eram mandados para fora do acampamento (arraial) ou da cidade, conforme o caso, mas não podemos saber ao certo se era para um lugar específico e se haviam regras de convivência neste suposto local. Quanto a voltarem para ver a família também não se pode ter certeza. Mas me parece que isto seria tido como inapropriado devido às regras explicitadas em Levíticos e também pelo perigo de contagiar seus entes queridos, o que certamente evitaria fazer. Em alguns filmes de cunho bíblico como Ben Hur e outros, nos é mostrado de uma espécie de colônia onde os leprosos viviam, mas não posso assegurar a exatidão histórica de tais filmes.

O que exatamente podemos considerar em "ser oprimido" por Satanás? Uma pessoa que passou pelo Novo Nascimento, conforme li em uma outra consulta neste site, não pode ser possessa por um demônio, mas pode sofrer a opressão. Há alguma diferença entre sermos oprimidos ou tentados por Satanás? O que fazer para nos libertarmos desta opressão? Haiko Abrahams, Curitiba - PR

Haiko, De certa forma esta pergunta já foi respondida consulta 1 e consulta 2. Opressão difere um pouco de tentação. Tentação demoníaca é quando estes seres espirituais do mal atacam direta ou indiretamente o crente tentando levá-lo a cometer um pecado. Basta ver a tentação do Senhor Jesus quando Satanás em pessoa quer induzi-lo ao erro. Ananias e Safira também foram tentados por Satanás a mentir para a igreja e pagaram com a própria vida (cf. Atos 5:1-10). O termo opressão não aparece na Bíblia para designar uma atividade demoníaca, mas o conceito pode ser percebido. Opressão é quando os demônios se aproveitam do fato do crente estar passando por dificuldades para tentar atrapalhar sua vida. Em alguns casos, a pessoa oprimida é colocada sob uma pressão lhe o sossego e também pode acontecer que ela fique angustiada, não consiga dormir bem etc. Um crente com pecado escondido pode dar lugar para que o inimigo o oprima e lhe roube a alegria e o gozo. Você pergunta: “O que fazer para nos libertarmos desta opressão?” Para libertar-se tanto da opressão como da tentação a Bíblia nos exorta: “Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tiago 4:7). “Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis” (Efésios 6:13).

Como pregar ou ler o antigo testamento, onde Deus exigia, obrigava e agora estamos no novo testamento onde o Senhor Jesus derramou o seu sangue por nós e intercede perante o Pai? Ronei A. Ferreira, Uberaba – MG

Ronei, A Palavra de Deus é composta do Antigo e Novo Testamentos e em ambos Deus não obriga ninguém a nada. O que Ele faz é dizer o que é a Sua vontade para o homem e apresentar as conseqüências para o obediência e para a desobediência. É óbvio que a obediência resulta em aprovação por parte de Deus e em conseqüências boas, bem como, a desobediência resulta na sua desaprovação e conseqüências ruins. O Antigo Testamento aponta para o Messias prometido inicialmente no Jardim do Éden (cf. Gn 3:15), promessa esta que foi “expandida” no restante do Antigo Testamento. Então ao antigo Testamento deve ser lido e pregado a partir desta perspectiva. É obvio que há práticas do ritualismo Veterotestamentário que não são para a Igreja de Cristo. Contudo, há no antigo Testamento alguns princípios que são chamados de “Princípios Eternos” os quais podem ser aplicados a nossa vida como crentes do século XXI. Devo ressaltar, porém, que os princípios que regem a Igreja estão no Novo Testamento, em especial nas Epístolas. Elas foram escritas para a Igreja e nelas encontraremos as diretrizes para o seu bom funcionamento.

O que aconteceu com a mulher de Jó, a Bíblia não relata o que houve com ela após ter blasfemado contra Deus, dizendo ao seu marido para ele amaldiçoar Deus e morrer. Vanilson Gaspar dos Santos, Curitiba-PR

Irmão Vanison, Sua resposta já está inserida na sua pergunta quando você escreveu: “a Bíblia não relata o que houve com ela após ter blasfemado contra Deus”. O silêncio da Bíblia sobre a mulher de Jô não nos permite fazer nenhuma afirmação sobre o que aconteceu com ela depois desta infeliz intervenção. O próprio Jô só é citado em outros dois livros da Bíblia. Um do Antigo e outro do Novo Testamento (Ez 14:14,20 e Tg 5:11). Contudo, posso fazer algumas suposições sobre o que teria acontecido a ela depois daquela terrível tempestade existencial que o casal enfrentou. O livro de Jô nos informa que depois de tudo a vida dele voltou ao normal. Teve a saúde restaurada, os bens dobrados (cf. Jó 1:3 e Jó 42:12) e outros sete Filhos e três filhas. Pois bem, como não há no texto nenhuma sugestão de que Jô seria bígamo ou polígamo, creio que estes últimos filhos e filhas ele foram dele e da sua mulher. Nossa primeira reação é achar que, por tal blasfêmia, a mulher de Jó deveria ser instantaneamente fulminada por raios celestiais. Ainda bem que Deus não é como nós; Ele é longânimo, perdoador e só Ele conhece exatamente a dor a qual mulher foi submetida. Conheço pessoas, algumas delas crentes, que por muito menos do que aconteceu com a mulher de Jó, até mesmo por coisas tolas, revoltam-se contra Deus e até mesmo os que blasfemam na cara dEle! Não estou justificando a atitude louca e irresponsável daquela mulher, mas se lembrarmos que, em questão de horas, talvez minutos, ela havia saído da riqueza para a pobreza e, pra completar a desgraça, tinha perdido sete filhos e três filhas. Lembremos que mesmo ante esta terrível tragédia, até onde sabemos, ela agüentou firme. Algum tempo depois ela vê seu pobre marido coberto de tumores (cf. Jó 2:7) de tal forma que, de tanto que fedia, nem mesmo seus irmãos queriam chegar perto dele. Seu hálito tornou-se pútrido e insuportável (cf. Jó 19:17). Então ela perde a estrutura e comete o desatino de fazer tal sugestão ao seu marido. Portanto, querido irmão, eu entendo que depois de passar a tempestade, o Senhor tratou com a mulher de Jó e juntamente com seu marido formaram outra família e tocaram a vida pra frente. No temor e amor do Senhor,

Com relação á Bíblia, é pecado colocar prótese de silicone nos seios? Midian Alves de Carvalho, São Miguel Paulista - SP

Cara irmã Midian, Não espere encontrar na Bíblia um versículo liberando ou condenando a colocação de prótese de silicone nos seios. Nos tempos bíblicos este tipo de cirurgia, bem como o silicone nem existiam. O Novo Testamento não é um livro com regras e sim com princípios, sendo um deles o da decência, por exemplo. Então, seguirei o Critério do Princípio e não o das regras. É possível que a motivação da maioria das moças e mulheres que colocam silicone nos seios seja a de despertar desejo nos homens. Nossa sociedade é cheia de modismos e hoje em dia a moda dita que a mulher tem que ter seios grandes. Já te disse que não tenho resposta pronta para seu questionamento. Contudo, algumas perguntas podem servir para nos orientar. Como cristãos sinceros, qual deve se nossa postura neste tipo de situação? É lícito? Caso seja lícito, vem a segunda pergunta: Convém? Para mim a principal pergunta é: Qual é a motivação para se tomar tal atitude? Sim, porque penso que Deus julgará mais a nossa motivação do que propriamente nossas atitudes. Ou seja, com que motivação tomei esta ou aquela atitude? Estou ciente que às vezes é preciso lançar mão de próteses por uma questão de estética, para a correção de um defeito físico. Defeito este que pode ter sido causado por acidente, um câncer ou mesmo defeito de nascimento. No caso de seios, pode ser que a pessoa tenha sofrido algum tipo de intervenção devido a tumores etc. Pode acontecer também que uma mulher tenha tido algum tipo de problema precoce nos seios. O que fazer nestas situações e outras parecidas? Ficar do jeito que está ou lançar mão dos recursos da medicina moderna para resolver o problema? É minha opinião que nos casos acima, caso a pessoa tenha condições pode sim lançar mão da prótese para melhorar sua imagem. Por qual motivo ficar sofrendo ou complexada se existe uma solução? Agora vou entrar em águas mais turvas, mas não me furtarei de emitir opinião. Há casos que o marido, eu disse MARIDO, gostaria que a esposa colocasse uma prótese por uma questão que lhe é pertinente. Ele chega pra ela e fala isto. O que a esposa deve fazer? É minha opinião que, sendo de consentimento mútuo, não maiores problemas, visto que esta cirurgia, ao contrário da lipoaspiração, não tem praticamente risco algum. Um segundo caso seria o de uma jovem que não teve o desenvolvimento normal dos seios e se sente constrangida devido a esta situação. Creio que ela deve conversar com seus pais (eu disse PAIS e não coleguinhas) para verem a possibilidade de se corrigir o problema. Eu poderia ficar aqui citando várias outras possibilidades nas quais eu consideraria legítima a colocação de prótese de silicone nos seios. Contudo ficarei apenas nestas, pois considero que com elas já apontei “o caminho das pedras” para aquelas mulheres que enfrentam problemas nesta área. Gostaria de citar mais explicitamente a situação que creio ser a mais comum. Ou seja, a mulher tem seios normais, mas para ficar mais atraente (para não usar outro adjetivo) coloca enormes próteses de silicone nos seios e sai por ai com decotes ousados com a finalidade de despertar desejo nos rapazes (o caso do decote ousado aplica-se também a todas as irmãs). Que tipo de mulher quer atrair pretendentes pelos dotes físicos? Qual são os valores deste tipo de mulher? Ela se julga uma pessoa ou um pedaço de carne ambulante? A segunda pergunta minhas queridas irmãs é: Que tipo de rapaz você atrairá ao agir assim? É certo que você atrairá alguns, mas que tipo de homem olha mais para o corpo de uma mulher do que para o seu caráter? Respondo: São os homens que pensam que a mulher é um objeto para satisfazer seus desejos. É com este tipo de homem que você gostaria de casar? O que acontecerá quando o seu corpo sofrer as conseqüências normais do tempo? É possível que algumas irmãs mais, digamos, conservadoras estejam de cabelos em pé com o irmão Jabesmar. Talvez estejam pensando: “como pode ele abrir exceção nesta área? Ó céus!!!” Digo isto por conhecer irmãs que condenam a colocação de prótese dizendo que a pessoa tem que se satisfazer com aquilo que Deus deu a ela, com o que concordo no que se refere a maioria dos casos (espero ter deixado isto claro nos casos acima). Mas noto que algumas destas mesmas irmãs esticam o capelo carapinha (também conhecido como pixaim), que Deus lhes deu. Algumas outras que tem cabelos encaracolados, que Deus lhes deu, fazem a tal da chapinha, pelúcia, escova de chocolate (pasmem) etc. Ainda há aquelas que pintam os cabelos negros ou castanhos, que Deus lhes deu, de loiro. Sem falar em jóias, bijus, batons etc. Reconheço que há uma distância consideravel emtre uma ciruria e um alizar de cabelos etc., mas o princiípio da satisfação com o que Deus deu" é quebrado em ambos os casos. Existem outros exemplos de modificações, mas pararei nestes. Contudo, a verdade é que condenam em outros aquilo que elas mesma praticam e caem em contradição. Friso que não sou contra o embelezamento e nem antiestético, mas também não sou a favor do que chamarei de esteticolatria (idolatria dos aspectos físicos - neologismo?). Creio que com bom senso e equilíbrio há lugar para estas coisas. Admiro a beleza e não acho que as mulheres não possam se cuidar. Bem espero ter, de alguma forma, ajudado as irmãs que lutam com dúvidas sinceras neste assunto. Espero sinceramente ter esclarecido e não confundido.

É licito um cristão praticar e ensinar artes marciais, e ensinar defesa pessoal? Jesué da Silva Andrade, Manhuaçu - MG

Caro irmão Jesué, Creio que a resposta a esta questão depende principalmente da motivação com a qual a pessoa pratica artes marciais (Caratê, Judô, Jiu-jítsu, luta Greco-romana etc.). Sé a prática é apenas como esporte não vejo maiores problemas. Mas se a pratica é para poder brigar e se dar bem, então eu entendo que é errado. Outra coisa que se deve observar é que se o professor faz alguma ligação entre o esporte e práticas esotéricas. Neste caso seria aconselhável ao cristão procurar outro professor que ensine puramente as técnicas do esporte. Então, se o cristão pratica e ensina artes marciais, bem como defesa pessoal, puramente como esporte, é meu entendimento que é lícito sim. Está mais que comprovado que as atividades físicas fazem bem para nosso corpo e evitam uma série de complicações. Talvez alguém, com razão, esteja lembrando-se do versículo registrado em I Timóteo 4:8 que diz: “Pois o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser.” Neste caso temos que entender a que tipo de exercício físico o apóstolo Paulo está se referindo. Será que ele era contra o atletismo? Antes de responder vejamos outros versículos escritos pelo apóstolo: “Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa* corruptível; nós, porém, a incorruptível. 1 Coríntios 9:26 Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar” (1 Coríntios 9:24,25).“Igualmente, o atleta não é coroado se não lutar segundo as normas” (2 Timóteo 2:5). Basta observar o contexto para ver que Paulo usa o atletismo como exemplo positivo. Ou seja, para Paulo há princípios no atletismo que podem ser aplicados à vida cristã. Ele menciona diretamente o corredor e o lutador. Só para citar um exemplo, assim como o atleta se aplica no treinamento para alcançar seus objetivos, assim também o cristão deve se aplicar para sua “corrida” cristã rumo ao prêmio da soberana vocação. Também deve estabelecer metas para seu ministério (corrida) e não sair “atirando” pra tudo que é lado (golpeando o ar). Poderíamos nos aprofundar mais ainda nas implicações e aplicações dos textos em questão, mas para o presente propósito já é o suficiente. Só para complementar cito outros autores bíblicos que usam o esporte num contexto positivo: “Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta” (Hebreus 12:1).“Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa* da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam” (Tiago 1:12).“Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa* da glória” (1 Pedro 5:4). Feito este longo parêntese voltemos ao versículo no qual Paulo afirma que o exercício físico para pouco é proveitoso. O que exatamente ele estava dizendo? Como sempre, precisamos ver o contexto no qual o versículo está inserido. Ou seja, qual é o assunto do qual Paulo está tratando anteriormente? A chave para entender o versículo está no versículo três onde ele descreve o tipo de exercício físico ao qual se refere. Não se casar (voto de castidade) e abstinência de alguns tipos de comida. Ou seja, privar o corpo através de exercitar as coisas citadas. A Bíblia chama isto de ascetismo. Vejamos:“Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade” (Colossensses 2:20-23). Com isto espero ter deixado claro a que tipo de exercício físico Paulo estava se referindo. Ele se referia a tentativa de se alcançar espiritualidade. Isto é comum em muitas religiões onde os adeptos se privam de várias coisas com o intuito de vencer o pecado. No versículo acima Paulo diz que isto é inútil contra a sensualidade (desejos da carne). Então Paulo diz que este tipo de exercício tem muito pouco valor. Por isso ele incentiva que Timóteo exercite-se na piedade, pois ela, como exercício espiritual, tem um proveito imensamente superior não só aqui como também para a eternidade. * A coroa mencionada pelos autores bíblicos é a coroa de louros a qual era colocada na cabeça do vencedor (ver também Tiago 1:12). Obs.: Negritos meus.

Estava pesquisando sobre a história de Jonas e encontrei algumas versões bíblicas com algumas passagens ({Gn 1.21} - {Jó 7.12} - {Ez 32.2} - {Mt 12.40}), que trazem a palavra baleia e outras versões por exemplo a NVI fala de monstro marinho, grande peixe... O que me deixou mais confuso foi a passagem de Jonas e o grande peixe mais especificamente no versículo {Jo 1:17} menciona “grande peixe” e em {Jo 12:40} menciona baleia... Você pode me ajudar com essa confusão? Outra questão é se realmente existia o conceito de baleia e mamíferos na época em que foi escrita a essas passagens? Rafael Dantas Silva, São Gonçalo - RJ

Caro Rafael, Esta é mais um dos problemas relativos a tradução de palavras de outras línguas para o português, no presente caso do hebraico e do grego. A questão aqui é que a tradução para “baleia” é mais uma interpretação do que uma tradução propriamente dita. Já me explico. Tanto a palavra hebraica (AT) como a palavra grega (NT) são termos genéricos usados para referir-se a um grande peixe e não necessariamente a uma baleia. O que creio é que se partiu do conhecimento atual para “impor” a palavra baleia ao texto. Como na época da tradução, assim como hoje, o maior ser marinho conhecido era a baleia, é possível que os tradutores tenham pensado que o tal grande peixe só poderia ser uma baleia e assim optaram pelo termo. Mas o correto é traduzir e não interpretar e, assim sendo, a tradução correta é grande peixe e não baleia. O seu segundo questionamento “é se realmente existia o conceito de baleia e mamíferos na época em que foi escrita a essas passagens?” Estou convencido que tanto na ocasião de Jonas quanto no I século os homens ainda não sabiam que a baleia na verdade não é um peixe e sim um mamífero. Esta é uma descoberta recente na história da humanidade. Mesmo porque na ocasião não se tinha equipamentos para se realizar este tipo de pesquisa.

Tem fundamento dizer que a terra será consumida em chamas? Ângelo, Itapevi - SP

Irmão Ângelo, Biblicamente tem fundamento crer e anunciar que a terra será consumida em chamas. Os profetas do Antigo Testamento previram isto e o Novo Testamento reforça a previsão deles. “Porque as estrelas e constelações dos céus não darão a sua luz; o sol, logo ao nascer, se escurecerá, e a lua não fará resplandecer a sua luz. Portanto, farei estremecer os céus; e a terra será sacudida do seu lugar, por causa da ira do SENHOR dos Exércitos e por causa do dia do seu ardente furor” (Isaías 13:10,13). “Todo o exército dos céus se dissolverá, e os céus se enrolarão como um pergaminho; todo o seu exército cairá, como cai a folha da vide e a folha da figueira" (Isaías 34:4). "Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados" (Mateus 24:29). "Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas. Visto que todas essas coisas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade" (2 Pedro 3:10,11). “esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão" (2 Pedro 3:12). “as estrelas do céu caíram pela terra, como a figueira, quando abalada por vento forte, deixa cair os seus figos verdes, e o céu recolheu-se como um pergaminho quando se enrola. Então, todos os montes e ilhas foram movidos do seu lugar” (Apocalipse 6:13,14 - em relação à Grande Tribulação). Há, portanto, indicações bíblicas que a Terra será consumida por altas temperaturas ao ponto de derreter a matéria contida nela. Sabemos que a bomba atômica libera um calor tal que faz com que os elementos literalmente se derretam e até mesmo se desintegrem. Ora, se o ser humano pode criar tal coisa, o que seria para o Deus todo poderoso fazer com que este mundo seja consumido por chamas com alto grau de temperatura? No amor e temor de Cristo.

O que significa vinho novo na Palavra e onde eu encontro? Vera, Rio de Janeiro – RJ

Vera, Você encontra o termo nas seguintes passagens: Isaías 49:26 “Sustentarei os teus opressores com a sua própria carne, e com o seu próprio sangue se embriagarão, como com vinho novo. Todo homem saberá que eu sou o SENHOR, o teu Salvador e o teu Redentor, o Poderoso de Jacó.” Oséias 9:2 “A eira e o lagar não os manterão; e o vinho novo lhes faltará.” Mateus 9:17 “Nem se põe vinho novo em odres velhos; do contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho, e os odres se perdem. Mas põe-se vinho novo em odres novos, e ambos se conservam.” Marcos 2:22 “Ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho romperá os odres; e tanto se perde o vinho como os odres. Mas põe-se vinho novo em odres novos.” Lucas 5:37, 38 “E ninguém põe vinho novo em odres velhos, pois o vinho novo romperá os odres; entornar-se-á o vinho, e os odres se estragarão. Pelo contrário, vinho novo deve ser posto em odres novos e ambos se conservam.” Nos textos do Antigo Testamento vinho novo significa o vinho recém extraído da uva. Nas vezes em que aparece no Novo Testamento a expressão surge dos lábios de Jesus. Para entender o significado aqui é preciso que eu me estenda um pouco. Jesus começa a falar de coisas velhas e coisas novas, costumes antigos e costumes novos. Para tanto Ele recorre a duas coisas bem comuns a um lar judeu do Oriente Antigo. Uma é a prática de remendar as roupas velhas que se rasgaram. Ele nos diz que ninguém corta um pedaço de uma veste nova para remendar uma roupa velha. Isto seria uma inutilidade, pois além de estragar a roupa nova o remendo não combinaria com a velha. O prejuízo seria duplo, pois ambas ficariam inutilizadas. Em Marcos 2:21, Jesus fala que um pedaço de pano novo usado como remendo em uma roupa velha faria com que o conserto ficasse pior que o estrago. Devido a sua maior resistência o pano novo faria com que o velho se rasgasse e assim o buraco ficaria maior ainda que o original. A outra ilustração vem dos odres e do vinho que neles eram guardados. Entenderemos melhor a ilustração se soubermos como eram confeccionados os odres. Um animal (normalmente uma cabra) era morto e eles removiam a carne e os ossos deixando seu couro intacto. Então, depois de devidamente tratado, ele era usado como recipiente para líquidos, inclusive o vinho. Quando novos, aqueles odres eram bastante maleáveis e elásticos. Com o passar do tempo eles se ressecavam e se submetidos a uma nova pressão rompiam-se. No que se referia ao armazenamento do vinho a não observância desta regra levava ao rompimento do odre e a conseqüência perda do vinho. Por isso Jesus é enfático: “vinho novo deve ser posto em odres novos e ambos se conservam”. O que o Senhor quer deixar claro com estas ilustrações e que Ele não veio remendar o judaísmo e nem moldar a Sua mensagem e comportamento aos velhos odres da religiosidade judaica. Ele veio trazer um vinho novo e o vinho que trouxe deve ser acondicionado em odres novos. Não é sem razão que Jesus não era visto com bons olhos pelos líderes religiosos da sua época. Ele era visto como um revolucionário que estava mudando as tão queridas tradições da religião judaica. Era isso que os incomodava! A verdade é que o Senhor sabia que o Seu ensino não estaria em conformidade com o gosto dos líderes religiosos. A alguém que já se acostumou a beber o vinho velho nem ao menos quer se dar ao trabalho de experimentar o vinho novo. O velho é que é o bom, ele diz. Está tão acostumado e satisfeito com o velho que nem ao menos se dá ao trabalho de parar por um momento sequer para avaliar o sabor do novo. Portanto, creio que no Novo Testamento, vinho novo era uma analogia de Jesus ao cristianismo que era uma mensagem nova e que não poderia ser apresentado no velho formato do judaísmo. A mensagem de Jesus era como que vinho novo e, como tal, não poderia se adequar à “camisa de força” da religião judaica com seu legalismo estreito recheado re regras e mais regras. Era uma mensagem nova e precisava ser acondicionada em recipientes novos. Ou seja, era preciso romper o elo com o judaísmo para receber a mensagem salvadora de Cristo. No amor e temor do Senhor. Veja mais sobre o assunto em: http://www.jabesmar.com.br/estudos/evangelho.html

Como diferenciar doença espiritual de doença física? Lurdes, Londrina - PR

Lurdes, Não sei exatamente o que significa para você uma doença espiritual. Para mim seria uma doença de origem demoníaca e é a partir desta suposição que tentarei responder a sua pergunta. Temos na Bíblia alguns casos de doença de origem demoníaca. No Antigo Testamento, de imediato me veio à mente a perturbação que Saul teve devido a um espírito maligno. Veja abaixo: “Tendo-se retirado de Saul o Espírito do SENHOR, da parte deste um espírito maligno o atormentava. Então, os servos de Saul lhe disseram: Eis que, agora, um espírito maligno, enviado de Deus, te atormenta” (I Samuel 16:14,15). “No dia seguinte, um espírito maligno, da parte de Deus, se apossou de Saul, que teve uma crise de raiva em casa, Saul, porém, trazia na mão uma lança, que arrojou, dizendo: Encravarei a Davi na parede. Porém Davi se desviou dele por duas vezes” (I Samuel 18:10, 11). Vemos que a enfermidade de Saul era de origem demoníaca. É certo que suas crises depressivas, o ciúme excessivo e a violência eram também ocasionados por estar ciente da sua rejeição como rei. Mas é certo que seus problemas mentais também eram provocadas por um espírito maligno. Temos também no Novo Testamento alguns casos de enfermidades de origem espiritual maligna. Vejamos e citarei duas: “E, quando chegaram para junto da multidão, aproximou-se dele um homem, que se ajoelhou e disse: Senhor, compadece-te de meu filho, porque é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo e outras muitas, na água. Apresentei-o a teus discípulos, mas eles não puderam curá-lo. Jesus exclamou: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui o menino. E Jesus repreendeu o demônio, e este saiu do menino; e, desde aquela hora, ficou o menino curado" (Mateus 17:14-18 - negrito meu). “De outra feita, estava Jesus expelindo um demônio que era mudo. E aconteceu que, ao sair o demônio, o mudo passou a falar; e as multidões se admiravam” (Lucas 11:14 - negrito meu) A palavra grega que foi traduzida por lunático era “seleniázomai”(σεληνιάζομαι) e indicava a pessoa que tinha crises muito parecidas com a epilepsia. Daí algumas versões traduzirem o termo como epilético. Alguns dos sintomas sugeridos pelo dicionário da Bíblia Online da SBB são: “vertigem, endurecimento dos membros, queda no chão, convulsão, movimentos de engolir, mordedura da língua, espuma na boca, suores.” Esclareço que nem todo ataque epilético é de origem demoníaca. A ciência já descobriu que eles são provocados por uma espécie de curto circuito no cérebro. Creio que a maioria deles é de origem física. Portanto, não queira o leitor sair expulsando demônios de quem sofre ataques epiléticos. Você a ajudará mais a encaminhando a um médico que a submeta a um eletro encefalograma. Quanto ao caso do mudo. É óbvio que todos os mudos da época de Cristo eram assim por influência demoníaca. Certamente, a maioria, como hoje, eram mudos pelo simples fato de serem surdos. Por não poderem ouvir não tem como prender os sons das palavras e, portanto, não podem emitir sons inteligíveis. Por isso, leitores, não comecem a querer expulsar demônios de tudo que é mudo que aparecer na sua frente! Fiz as observações acima para evitar os exageros que vemos em alguns meios do que é conhecido como meio evangélico. Mas é inegável que existem doenças de origem espiritual. Como então diferenciar uma da outra? Creio que acima de tudo é necessário ter discernimento espiritual. Não se pode atribuir todas as mazelas de uma pessoa a uma ação direta dos demônios. Mesmo o cristão mais espiritual está sujeito a ficar enfermo fisicamente. Temos claros exemplos disto tanto na Bíblia como na história da igreja. Uma primeira dica é que por ser habitação permanente do Espírito Santo de Deus, nenhum cristão pode sofrer o que vimos nos exemplos bíblicos citados. Ou seja, um demônio não pode entrar num cristão verdadeiro provocando ataques e atirando-o ao chão, provocar mudez ou outra enfermidade. A doença na vida do crente pode ter duas origens básicas. Primeiramente a contingência da vida à qual ele também está sujeito. Em segundo lugar, pode se dever também a pecados em sua vida. Pecado que não foi devidamente confessado, abrigar ódio ou ressentimento no coração (falta de perdão) etc. Este segundo caso pode ser um pesar da mão de Deus sobre Ele a fim de quebrantá-lo. Quanto a incrédulos, sua doença pode ser também de origem puramente física, o que creio ser a maioria dos casos, mas também pode ser de origem demoníaca. Ele pode estar sendo vítima de forte opressão ou até mesmo de possessão demoníaca. Não tenho como lhe passar uma fórmula bíblica de como diferenciar uma enfermidade normal de uma espiritual, mas espero ter lhe passado algum conhecimento acerca de casos, os quais lhe ajudarão a diferenciar uma coisa da outra. No amor e temor de Cristo.

Existe diferença entre receber o Espírito Santo (Jo 20:22),e ser cheio do Espírito Santo (Lc 1:41)? Antonio Carlos Bacchereti Sodero, São Paulo-SP

Caro irmão Antônio Carlos, Os textos aos quais você se refere são: “Ouvindo esta a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre; então, Isabel ficou possuída [cheia - RC] do Espírito Santo” (Lc 1:41 – colchetes meus). Outro é: “E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo” (Jo 20:22). Lembre-se que os acontecimentos estão situados antes da inauguração da igreja, ou seja, a igreja de Cristo ainda não se tinha iniciado “oficialmente”, pois isto se deu no dia de Pentecostes. Então não creio que eles sirvam para nos orientar quanto ao recebimento do Espírito Santo e nem quanto ao enchimento pelo Espírito Santo. Lembre-se que neste momento da história a habitação do Espírito Santo ainda não era permanente na vida das pessoas. Havia o que poderíamos chamar de visitação do Espírito Santo, pois apesar dos textos estarem situados num período de transição para a era da igreja, ela ainda não tinha sido inaugurada. No caso de Izabel a iniciativa do enchimento foi do próprio Espírito Santo e parece estar mais ligado ao feto que ela trazia no ventre do que por ela mesma. Foi com a Saudação de Maria que o bebê se moveu no ventre dela e então ela foi “possuída” pelo Espírito Santo e foi no poder e mover dele que ela começou a falar. Já no caso narrado em João creio que os discípulos receberam um tipo de capacitação especial até que o recebessem definitivamente o Espírito Santo, o que ocorreu no dia de pentecostes de uma forma muito mais marcante e permanente. Feitas estas observações passemos a diferenciar o recebimento (ou batismo) e do enchimento (ou plenitude) do Espírito Santo. O recebimento do Espírito Santo se dá no momento no qual a pessoa recebe a Jesus como único e suficiente Salvador. Naquele exato instante em que ela nasce de novo o Espírito Santo passa a habitar no seu corpo. Dentre tantos outros textos destacarei estes: “...em Cristo; em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa” (Ef 1:2b, 13). “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (I Co 6:19). “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito” (I Co 12:13). A partir de então o Espírito Santo passa a fazer morada permanente na vida do salvo. Se o recebimento ou batismo com o Espírito Santo é um ato único na vida do cristão nascido de novo, o enchimento é um processo contínuo. Lemos na Bíblia: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5:18). Ao contrário do batismo com o Espírito, a plenitude do Espírito pode ser experimentada várias vezes (compare At 2:4 com At 4:31). Podemos ficar cheios do Espírito e por causa de pecado, rebeldia etc. podemos perder a plenitude do Espírito Santo. Se a única condição para receber o Espírito Santo é crê em Jesus e o receber como o nosso Salvador, para sermos cheios do Espírito precisamos nos esforçar para ir nos santificando para que assim Ele vá ocupando nosso ser até que experimentemos sua plenitude na nossa vida. Quanto mais submissos a Deus e à Sua Palavra, tanto mais o Espírito Santo ocupará áreas da nossa vida. Quanto mais rebeldes contra Deus a contra a Sua Palavra mais o Espírito Santo ficará sem ação na nossa vida. É por isso que somos exortados a não entristecê-Lo. Vejamos: “E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção” (Ef 4:30). A escolha de ser ou não cheio, pleno do Espírito Santo de Deus é totalmente nossa. Termino com a observação que o enchimento do Espírito, ao contrário do que vemos em alguns que se dizem cheios dele, jamais gerará soberba na pessoa e sim quebrantamento e humildade. Outra observação que julgo pertinente é que no Novo Testamento o enchimento do Espírito nunca é proclamado pela própria pessoa e sim por terceiros. Não vemos nenhum dos escritores do NT se declarando cheio do Espírito. Outras pessoas é que afirmam isto acerca daquele que estava experimentando a plenitude do Espírito Santo. Vejamos: “Então, Pedro, cheio do Espírito Santo...” (At 4:8 ); “Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo...” (At 7:55); “Porque era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé” (At 11:24). “Todavia, Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo” (At 13:9).

Por que os olhos de Eva só se abriram depois de Adão comer o fruto proibido? Júlio César V. Gonçalves, São Caetano do Sul - SP

Júlio, O texto ao qual você se refere é: “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu. Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si” (Gênesis 3:6,7). Procurei ajuda em comentários e enciclopédia de dificuldades bíblicas e não encontrei uma resposta direta para sua pergunta. Ao ler o texto bíblico, tenho para mim que Eva e Adão comeram o fruto praticamente juntos. Primeiro Eva, depois Adão, é verdade, mas isso uma sucessão quase imediata. Ou seja, pecaram juntos! Assim sendo, este “abrir de olhos” teria se dado praticamente no mesmo momento. A narrativa não se ocupa com pormenores, mas creio que podemos afirma com boa margem de acerto que as coisas se deram assim. Creio que o mais importante na narrativa é o fato que, a partir do momento que desobedeceram a Deus, com a maligna motivação de serem como Ele, Adão e Eva perceberam que haviam caído em pecado. O que se segue com a ridícula tentativa de se cobrirem com folhas e o desenrolar da história humana é mais que o suficiente para provar que o ser humano está terrível e profundamente contaminado com o pecado.

Sou professora da escola dominical na classe me fizeram a seguinte pergunta: Por qual motivo Jesus foi batizado aos 30 anos e não antes? Érika, Ituiutaba - MG

Olá irmã Érika! A Bíblia não nos explica o motivo pelo qual Jesus se batizou por volta dos 30 anos de idade, mas podemos fazer algumas suposições que explicam o motivo. É preciso ressaltar que o batismo ao qual o Senhor Jesus se submeteu não é o batismo cristão instituído por Ele mesmo e sim o batismo de João. O batismo de João era a manifestação pública do indivíduo que reconhecia a sua necessidade de arrependimento para assim receber a remissão dos pecados. Então, obviamente, vem a pergunta: pra que Jesus se submeteu ao batismo de João se Ele não tinha pecado nenhum? Ele mesmo nos responde: “cumprir toda a justiça de Deus” (Mt 3:15). Ao ser batizado por João identificou-se com os pecadores que Ele veio para salvar. Ou seja, ele não se batizou para admitir que precisasse arrepender-se, pois nunca havia cometido pecado (em toda sua vida jamais cometeu algum pecado). Feita esta observações que julguei pertinentes ao assunto, passemos as suposições pelas quais ele batizou-se em idade adulta. É notável o fato que o batismo de Jesus marca o início do seu ministério. Após o batismo ele foi tentado por Satanás e logo após obter vitória sobre a tentação começa sua atividade ministerial. De acordo com alguns estudiosos, ou pelo menos uma das causas, para o início do ministério “tardio” de Jesus pode ter sido pelo fato do judeu daquela época só atingir a maioridade aos 30 anos. Assim sendo, ele só teria credibilidade como um mestre após a maioridade. Outra possibilidade é a de que José, o esposo de Maria, tenha falecido e Jesus, como o filho primogênito, tivesse ficado com a responsabilidade de cuidar dos seus quatro meio-irmãos e das suas, pelo menos duas, meio-irmãs (Mt 13:55,56). Contudo, o batismo cristão, este sim instituído por Jesus, deve ser ministrado somente ao que recebe a Jesus como Salvador e Senhor da sua vida. Para aquele que entrega sua vida a Ele confiando somente na Sua obra para a salvação do fogo eterno. Podemos ver, pelos motivos expostos acima, que o fato do Senhor Jesus ter sido batizado aos 30 anos não deve ser usado como desculpa para que pessoas que o receberam como Salvador e Senhor fiquem adiando o testemunho público que deve ser dado através do batismo. Sinceramente eu não consigo entender pessoas que já creram e ficam anos na igreja sem obedecer a ordenança do batismo. O batismo é o passo inicial para tornar público a identificação com Cristo e, na maioria das igrejas cristãs, é a declaração consciente de que a partir deste ato o crente está se ligando oficialmente a igreja local. Ou seja, o passo do batismo deveria ser o resultado natural daquele que recebe a Jesus como único e suficiente Salvador. Qualquer coisa menos que isso é desobediência.

Há um cântico com a frase: "Eu não morrerei enquanto o Senhor não cumprir em mim, todos os sonhos que Ele mesmo sonhou pra mim ..." Fomos repreendidos por um irmão que disse que estamos cantando uma mentira, pois Deus não dorme então não sonha. Queria saber se estamos errados em cantar este hino? Fernanda Élia Gonçalves, Aimorés - MG

Cara irmã Élia, Conheço o cântico em questão e também já me pus a meditar na letra do mesmo. A mim parece óbvio que ao falar que Deus sonhou pra ele, o autor não está dizendo que Deus dorme. É verdade que a palavra sonho também está ligada ao fato de dormir e sonhar. Mas nem sempre a expressão sonho implica no fato de alguém dormir. Existem situações específicas nas quais o uso deste termo não significa a conseqüência de se ter dormido. Ele também pode significar o desejo, alvo, propósito para si mesmo ou para outro. Vejamos alguns exemplos: 1) O sonho da casa própria. Aqui a expressão tem unicamente o significado de desejo de possuir uma casa que seja nossa; 2) Meu sonho é um dia fazer uma faculdade; 3) Meu sonho é conhecer a Europa; 4) Meu sonho é que meu filho seja um missionário; 5) Sonho com o dia que minha filha se formará em medicina; 6) Sonho em ter um filho obediente e estudioso 7) Sonho do meu pai era que eu fosse bombeiro. Poderíamos citar vários outros exemplos nos quais a palavra sonho não tem nenhuma ligação com dormir, mas creio que estes já são suficientes. Uma vez escrevi um artigo intitulado: “Sonhando os Sonhos de Deus” e em uma das nossas publicações alguém esbravejou dizendo que isto não é possível, pois Deus não dorme e, portanto, não pode sonhar. É o obvio ululante que eu sei disso! Meu artigo era baseado na vida de José é o que eu disse foi que os sonhos de José foram dados por Deus e não que Deus tivesse dormido e sonhado. Mas algumas pessoas parecem desconhecer que às vezes uma mesma expressão adquire significados diferentes dependendo do contexto no qual ela é usada. O cântico diz: Sim, Deus é fiel para cumprir Toda palavra dita a mim Deus é fiel, Deus é fiel Sim, Deus é fiel para cumprir Toda promessa feita a mim Deus é fiel, Deus é fiel Eu não morrerei enquanto o Senhor não cumprir em mim Todos os sonhos que Ele mesmo sonhou pra mim Eu quero viver em santidade e adoração Pois é só Dele, somente Dele o meu coração Para mim o sentido daquilo que Deus sonhou pra mim estaria ligado àquilo que Ele planejou pra mim. Sim, pois Deus tem planos pra minha vida! Feito o devido esclarecimento da expressão não vejo problemas em cantar esta canção. Contudo, cumpre ressaltar que provavelmente o irmão que falou com vocês estava apenas sendo zeloso com o que se canta nas reuniões da igreja. Quem sabe se vocês explicarem a ele o sentido da palavra sonho ali ele entenda e veja que sua preocupação, apesar de bem intencionada, não tinha razão de ser. Contudo, caso o irmão, principalmente se ele for da liderança da igreja, mesmo depois das devidas explicações entenda que é errado cantar o cântico vocês tem duas alternativas: 1) Obedecer e, mesmo tendo convicção diferente, parar de cantá-lo; 2) Fazer uma adaptação na letra. Até posso sugerir uma mudança. Veja só como ficaria: “Eu não morrerei enquanto o Senhor não cumprir em mim Todos os planos que Ele mesmo pensou pra mim” Se depois de conversarem com o irmão ainda permanecer o impasse vocês devem levar o caso a liderança da igreja. Caso a liderança libere vocês podem cantar. Mas se no final de tudo não tiver jeito é melhor parar de cantar e seguir em frente louvando a Deus com outros dos tantos cânticos que existem. Espero ter ajudado. Em Cristo,

Gostaria de entender um aspecto do dilúvio descrito em Genêsis. Aquela foi a primeira vez que choveu sobre a Terra ou isso já acontecia e aquela foi uma chuva de maiores proporções? Wallison, Ribeirão das Neves - MG

Caro irmão Walisson, Creio que aquela foi a primeira vez que choveu sobre a terra. Antes do dilúvio havia uma camada de água em torno do planeta que servia de proteção. Em Genesis 1:6-8 lemos; “E disse Deus: Haja firmamento no meio das águas e separação entre águas e águas. Fez, pois, Deus o firmamento e separação entre as águas debaixo do firmamento e as águas sobre o firmamento. E assim se fez. E chamou Deus ao firmamento Céus” (negrito meu). Provavelmente aquela água toda estava na forma de vapor. Com o avanço da ciência sabemos que hoje a terra é bombardeada pela luz ultravioleta que é prejudicial a todos os tipos de vida. Os cientistas criacionistas afirmam que aquela camada de água que havia antes do dilúvio protegia a terra dos raios nocivos e conservava a temperatura igual em todo o planeta. Esta seria a razão da longevidade dos homens pré-diluvianos. Logo a pós o dilúvio o tempo de vida caiu para em trono de 120 anos. Antes de anunciar o dilúvio o próprio Senhor previu isto. Veja: “Então, disse o SENHOR: O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos” (Gênesis 6:3). Em Gênesis 7:11, que fala do início do dilúvio lemos: “No ano seiscentos da vida de Noé, aos dezessete dias do segundo mês, nesse dia romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as comportas dos céus se abriram, e houve copiosa chuva sobre a terra” (negrito meu). Esta foi a primeira vez que choveu na terra. Tanto é que antes disso não aparecia no céu o arco-íris. Somente depois do dilúvio é que Deus fala que Ele o colocaria no céu como um sinal. Vejamos: “porei nas nuvens o meu arco; será por sinal da aliança entre mim e a terra. Sucederá que, quando eu trouxer nuvens sobre a terra, e nelas aparecer o arco...” (Gênesis 9:13, 14). Apesar de que nem toda a água do dilúvio veio do alto, há elementos bíblicos suficientes para se afirmar que a chuva diluviana foi a primeira e maior de todas as chuvas que já caiu sobre a face da Terra. Disse que nem toda aquela água veio do céu pelo fato da Bíblia afirmar que além se abrirem as comportas do céu também “dia romperam-se todas as fontes do grande abismo” (Gênesis7:11). Todo aquele grande volume de água ainda está no nosso planeta. Parte está nos mares, rios e lagos; parte está em forma de vapor nas nuvens e parte está em forma de gelo nos pólos da terra.

Em textos como I Crônicas 4:10 algumas traduções trazem a palavra “Oxalá” em outras trazem “tomara” .Mas a palavra “Oxalá” também é dada a uma entidade do candomblé. Como entender isto? Qual a ligação entre uma e outra? Darlei, Muriaé - SP

Caro Darlei, Creio que estamos lidando aqui com palavras homônimas[1]. Os mais antigos sabem que o uso da palavra oxalá não tem nada a ver com a entidade espiritual do candomblé. Mas os mais novos, assim como você, podem ficar em dúvidas e se perguntarem como uma palavra assim foi usada na Bíblia. Por isso é sempre bom, como você fez, comparar versões da Bíblia, pois uma nos ajudará a entender a outra. Alías, nem a Almeida Revista e Atualizada e nem a Revista e Corrigida trazem o termo oxalá. Encontrei-o somente na Bíblia Tradução Brasileira e numa outra que tem a sigla DO. Lembre-se sempre que a língua é dinâmica e enquanto alguns termos caem em desuso, outros, com o passar dos anos, ganham novos significados. Daí a necessidade de se fazer, de tempos em tempos, revisões nas Bíblias. Seria bom que cada estudioso da Bíblia investisse menos em CDs e DVDs e comprasse Bíblias em diversas versões tais como Linguagem de Hoje, NVI, Viva etc. Assim seu estudo seria enriquecido. Seria bom também comprar um bom dicionário de português. Veja abaixo os significados que o Dicionário do Aurélio trás para o termo oxalá: Oxalá 1: Substantivo masculino. Bras. Rel. Alta divindade entre os orixás jeje-nagôs, abaixo apenas de Olorum. Oxalá 2: [Do áramaico. in AYallah– ,‘e queira Deus’]. Interjeição. Tomara; queira Deus; prouvera a Deus: Oxalá cesse um dia a miséria do mundo! Veja bem que ao tomarmos conhecimento do outro significado da palavra oxalá não ficaremos assustados ao vê-la inserida no texto bíblico. Nota [1]: homônimo [Do gr. homónymos, pelo lat. homonymus.] Adjetivo. Substantivo masculino. 1.Que ou aquele que tem o mesmo nome. 2.E. Ling. Diz-se de, ou palavra que se pronuncia da mesma forma que outra, mas cujo sentido e escrita são diferentes (os homófonos laço = laçada, lasso = cansado), ou que se pronuncia e escreve do mesmo modo, mas cujo significado é diverso (os homógrafos falácia = qualidade de falaz, e falácia = falatório). [Cf. parônimo, sinônimo, homófono, antônimo e homógrafo.]

Devo apenas confessar a Deus os meus pecados, ou devo também pedir perdão? Jefferson, São João de Meriti-RJ

Creio não haver dúvidas em sua mente quanto ao fato de termos que confessar nossos pecados a Deus, mas mesmo assim gostaria de reafirmar esta necessidade. Em Provérbios 28:13 está escrito: “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.” Já em 1 João 1:9 lemos: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” Ou seja, não resta dúvidas que precisamos confessar nossos pecados a Deus e nos esforçarmos para abandonar a prática pecaminosa. Quanto ao fato de pedir ou não perdão, penso que quem confessar é por estar arrependido do ato cometido. Para mim sempre esteve implícito que o ato de confessar vem acompanhado da necessidade do pedido de perdão. Quando confesso a Deus um ou mais pecados é por sentir arrependimento por tê-Lo ofendido. Portanto, tenho que pedir perdão a Ele. Mas para dar base bíblica para o meu raciocínio vou citar versículo do Antigo Testamento e um trecho daquela que é conhecida como a “Oração do Pai nosso”. No Salmo 79:9 lemos: “Assiste-nos, ó Deus e Salvador nosso, pela glória do teu nome; livra-nos e perdoa-nos os pecados, por amor do teu nome.” Quando Jesus está ensinando aos discípulos alguns princípios quanto a oração Ele diz: “... e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores” (Mateus 6:12). Em uma passagem paralela lemos: “perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo o que nos deve; e não nos deixes cair em tentação” (Lucas 11:4). Concluo, então, que no ato de confessar há também a necessidade de pedir perdão pela ofensa cometida contra a Santidade daquele sobre ao qual lemos o seguinte: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal” (Habacuque 1:13).

Em 2 Crônicas 21:12 a carta que Jeorão recebeu era de Elias, o profeta ou era outro? Fátima, São Vicente-SP

Fátima, Creio que o próprio texto responde a sua pergunta. Veja o que diz em várias versões: “Então, lhe chegou às mãos uma carta do profeta Elias” (revista e Atualizada). “Então, lhe veio um escrito da parte de Elias, o profeta” (Revista e Corrigida). “Então lhe veio um escrito da parte de Elias, o profeta” (Almeida Corrigida e Fiel) “Então lhe chegou às mãos uma carta do profeta Elias” (tradução Brasileira). “Aí o profeta Elias escreveu a Jeorão uma carta” (Nova Tradução na Linguagem de Hoje). “O profeta Elias mandou então ao rei uma carta” (Bíblia Viva). “Então Jeorão recebeu uma carta do profeta Elias” (Nova Versão Internacional - NVI). Consultei também a Reina Valera (em Espanhol) e a King James (em Inglês). Todas elas deixam claro que o Elias em questão era mesmo o profeta. A NVI trás a seguinte nota de rodapé: “Essa referência a uma carta de Elias é a única menção em Crônicas daquele profeta a quem os livros dos reis dedicam tanta atenção (1 Reis 17 – 2 RS 2). Alguns têm sustentado que esta carta não pode ser comprovada porque, segundo alegam, Elias foi levado ao céu antes de Jeorão se tornar rei. Mas essa não é uma conclusão necessária (V. 2 RS 1:17). A trasladação de Elias pode bem possivelmente ter ocorrido na data avançada de 848 a.C.”

Se não devemos orar pelos mortos, por que Davi e os que estavam com ele jejuaram por Saul e por Jônatas, após saber da morte dos mesmos? (2 Samuel 1:12). Lorrana, Vitória - ES

Cara irmã Lorrana, Uma das regras de interpretação bíblica diz o seguinte: “Uma declaração só não pode derrubar uma doutrina estabelecida por muitos textos.” Sabemos que a Bíblia proíbe consultar os mortos (orar aos mortos) e que não vale nada as orações em favor dos mortos, pois morrendo o Homem o que lhe espera é julgamento pelos seus atos em vida (cf. Dt 18:11; Is 8:19; Hb 9:27). Em uma determinada situação, bem mais clara que esta, ficamos sabendo que Davi não tinha o costume de interceder pelos que já haviam morrido. Refiro-me a passagem da morte do seu filhinho com Bate-Seba. Diz assim o texto sagrado: “Então, Natã foi para sua casa. E o SENHOR feriu a criança que a mulher de Urias dera à luz a Davi; e a criança adoeceu gravemente. Buscou Davi a Deus pela criança; jejuou Davi e, vindo, passou a noite prostrado em terra. Então, os anciãos da sua casa se achegaram a ele, para o levantar da terra; porém ele não quis e não comeu com eles. Ao sétimo dia, morreu a criança; e temiam os servos de Davi informá-lo de que a criança era morta, porque diziam: Eis que, estando a criança ainda viva, lhe falávamos, porém não dava ouvidos à nossa voz; como, pois, lhe diremos que a criança é morta? Porque mais se afligirá. Viu, porém, Davi que seus servos cochichavam uns com os outros e entendeu que a criança era morta, pelo que disse aos seus servos: É morta a criança? Eles responderam: Morreu. Então, Davi se levantou da terra; lavou-se, ungiu-se, mudou de vestes, entrou na Casa do SENHOR e adorou; depois, veio para sua casa e pediu pão; puseram-no diante dele, e ele comeu. Disseram-lhe seus servos: Que é isto que fizeste? Pela criança viva jejuaste e choraste; porém, depois que ela morreu, te levantaste e comeste pão. Respondeu ele: Vivendo ainda a criança, jejuei e chorei, porque dizia: Quem sabe se o SENHOR se compadecerá de mim, e continuará viva a criança? Porém, agora que é morta, por que jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim” (2 Samuel 12:15-23). O texto que você cita diz o seguinte: “Prantearam, choraram e jejuaram até à tarde por Saul, e por Jônatas, seu filho, e pelo povo do SENHOR, e pela casa de Israel, porque tinham caído à espada.” O sentido original do texto citado por você não é o de Davi chorando e jejuando em favor de Saul e Jônatas. Em nenhum lugar diz que Davi e seus companheiros oraram por Saul e Jônatas. Umas das formas de manifestar tristeza era a de chorar e jejuar, além de rasgar as vestes (2 Samuel 1:11). O versículo 17 nos diz que Davi pranteou por eles. Portando, o sentido mais correto do texto é o de prantear e jejuar por causa de e não em favor de.

Os animais do Jardim do Éden foram criados do pó da terra, assim como Adão? (Gn 2:19) Suely Ferreira, Tenente Laurentino - RN

O próprio texto que você cita traz a resposta a sua pergunta. Ele diz: “Havendo, pois, o SENHOR Deus formado da terra todos os animais do campo e todas as aves dos céus, trouxe-os ao homem, para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a todos os seres viventes, esse seria o nome deles”(Gn 2:19 – negrito meu).Além do texto que você citou há outro que diz: “Disse também Deus: Produza a terra seres viventes, conforme a sua espécie: animais domésticos, répteis e animais selváticos, segundo a sua espécie. E assim se fez” (Gn 1:24 - negrito meu). Fica claro que também os animais foram criados da terra. Isto se pode ver, também, pela semelhança da nossa carne e do nosso sangue com a carne e sangue da maioria dos animais terrestres, em especial, mas não só, os mamíferos. Parece que a única, mas significativa, diferença é que quanto ao homem o próprio Deus modelou do barro o seu corpo e lhe assoprou o fôlego de vida. Já os animais, como as demais coisas, vieram a existir pela voz de comando do Todo Poderoso Deus.

Sempre achei o versículo abaixo, muito bonito, mas muito curioso também: “Não se esqueçam da hospitalidade; foi praticando-a que, sem o saber, alguns acolheram anjos". Heb 13:02 (NVI). Quando é mencionado "acolheram anjos" refere-se a algo visível? Os anjos apareciam como homens? Creio que isso não acontece mais nos dias de hoje... ou poderia acontecer? Dynha, São Paulo - SP

Entendo que os anjos acolhidos eram não somente visíveis como também palpáveis. Às vezes eles apareciam em forma de homens o que fica evidente em algumas passagens bíblicas. Em Gênesis 18 lemos que Abraão hospedou três desconhecidos dos quais dois eram anjos e o terceiro era o próprio Senhor. Estes seres celestiais se materializaram até mesmo comeram (cf. v. 8). Outro caso bem conhecido é o de Ló, em Gênesis 19, que, sem o saber, hospedou anjos que também comeram (cf. v. 3) e pegaram na mão de Ló para o tirarem de dentro da cidade (cf. v. 16). Como você pode ver eles eram bem reais. Quanto a possibilidade de anjos aparecerem de forma humana e visível hoje em dia, creio que isto é possível sim. Não vai acontecer com todos os cristãos e, caso aconteça é possível que a pessoa nem se dê conta. Já ouvi relatos de cristãos em lugares ermos que foram salvos por “homens” que apareceram na hora “H” e depois se foram sem deixar vestígios. Contudo, lembro que não devemos pautar nossa vida cristã em aparição de anjos e outras coisas sensacionais. Têm crentes que nas reuniões da igreja enfatizam mais os anjos que o Senhor dos anjos e isto é errado.

O que o apostolo Paulo quis dizer falando aos casados que um não deveria privar o outro. "Digo isto como concessão e não como mandamento." Ana Paula, Uberaba - MG

Cara irmã Ana Paula, Não ficou claro se sua dúvida é quanto em que área o casal não privar um ao outro ou se é quanto a questão de não ser um mandamento e sim uma concessão. Portanto, procurarei explorar os dois aspectos. O texto que você cita encontra-se em 1 Coríntios 7:5,6 no qual lemos: “Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência. E isto vos digo como concessão e não por mandamento.” O contexto nos mostra que Paulo está falando da área sexual no relacionamento conjugal. Antes do texto que você menciona ele havia escrito: “Quanto ao que me escrevestes, é bom que o homem não toque em mulher; mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido. O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher.” (1 Coríntios 7:1-4). Em Corinto havia três situações: 1ª) A questão da imoralidade sexual reinante na cidade onde a fornicação era normal; Devido a isto havia a segunda e terceira situação entre os crentes que os ajudaria a vencer o problema; 2ª) os que exaltavam o celibato; 3ª) os que queriam casar-se. Paulo, que era celibatário, vai falar das vantagens do celibato em relação ao ministério (vv. 32-34), mas deixa claro que ele não era para todos. Era quase um que um chamado especial que não incluía a todos; o normal era mesmo o casamento. Depois desta longa introdução passemos as respostas: 1º) O marido e mulher têm vários deveres uns para com os outros e neste caso Paulo está falando de deveres sexuais. Anos atrás tomei conhecimento do caso de um rapaz muito consagrado que se casou com uma moça e na lua de mel disse a ela que tinha feito um voto de celibato com o Senhor. Sua sugestão era a de que vivessem juntos, mas sem ter relacionamento sexual. A moça, é claro, não aceitou e, felizmente, depois de muito aconselhamento o jovem entendeu que não há casamento sem relacionamento sexual, pois é exatamente no casamento o lugar que Deus estabeleceu para isto. Resumindo, um cônjuge que se nega ao outro, a não ser em caso de estarem em acordo mútuo, enfermidade ou outra complicação momentânea, está abertamente contra a Palavra de Deus. Ou seja, está em pecado! Quanto ao versículo seis: “E isto vos digo como concessão e não por mandamento”. Vou recorrer a dois comentaristas. Primeiramente vejamos o que diz o Comentário Ritchie do Novo Testamento: “O apóstolo indica, agora, que sua proposta de abstinência durante algum tempo, seria uma concessão sugerida em certas circunstâncias, e não um mandamento para ser obedecido” (Pg. 102). Em segundo lugar vejamos o que diz o Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento escrito pelo irmão William MacDonald: “O versículo 6 é motivo de grande controvérsia e especulação. Paulo diz: “E isto vos digo como concessão e não por mandamento”. Há quem entenda que ele não considerou as palavras anteriores inspiradas por Deus. Mas essa interpretação é indefensável, tendo em vista o apóstolo afirmar em 1 Coríntios 14:37 que as coisas escritas por ele aos coríntios eram mandamento do Senhor. A nosso ver, o apóstolo está dizendo que, em determinadas circunstâncias, é permitido a um casal abster-se do ato conjugal, mas que essa abstinência é uma permissão, e não um mandamento.” Concordo com os dois comentaristas citados e creio que a resposta deles é a que está de mais acordo com o todo das Sagradas Escrituras, pois não compromete a sua inspiração e autoridade.

Estender as mãos na hora da Bênção Apostólica vai fazer com que recebamos a bênção ou é apenas um gesto físico sem finalidades? Advaldo Ramos, Camanducaia-MG

A assim chamada, Benção apostólica, é tirada do último versículo de 2 Coríntios o qual diz: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (2 Co 13:13). Apesar de não ser comum nas Igrejas dos Irmãos, em várias grupos os pastores têm o costume de, ao final dos cultos, estenderem as mãos e proferirem estas palavras. A verdade é que não há na Bíblia nada que indique que isto é normativo. Foi apenas a forma que Paulo se despediu dos irmãos de Corinto nesta segunda epístola. Em outras a despedida foi diferente. Mas há algo errado em um líder fazer isso? Creio que não. Eu não tenho adotado este costume e creio que os que o adotam devem evitar cair no tradicionalismo e fazer isso só por formalismo. Parece que para alguns líderes esta prática lhes confere um tipo de status para com os membros da igreja que “anseiam” por receber estas palavras. Ai pode surgir algum tipo de superstição disfarçada achando que se isso não acontecer eles não foram abençoados. Quanto ao fato da bênção ganhar status de mais “poderosa” somente se as mãos do líder estiverem estendidas, não há nada na Palavra de Deus que indique isto. Ele apenas está desejando para a igreja o que Paulo disse aos corintos, mas quem abençoa é o Senhor. Quanto a ser um gesto físico sem finalidade eu não creio que o seja. Creio que o gesto transmite aos membros a idéia de associação e compartilhamento da parte do líder deste desejo sobre ele e sobre o rebanho de Deus. Mas não será o fato dele estender as mãos que dará mais poder as palavras pronunciadas.

Jefté, depois que saiu vitorioso, foi aceito de novo pelos seus irmãos? Jefferson, São João de Meriti-RJ

Ao se referir ao irmãos de Jefté não ficou claro se você se refere aos irmãos carnais ou aos seus compatriotas Judeus. No caso dos seus meio irmãos a Bíblia na diz nada a respeito deles o terem recebido de volta. Não há como determinar isso. Contudo, no caso dos gileaditas, que não o tinham defendido quando foi expulso pelos seus meio irmãos, fica claro que não só o receberam como também o estabeleceram como líder sobre eles. Podemos ver isso no decorrer da narrativa e também no seguinte versículo: “Jefté, o gileadita, julgou a Israel seis anos; e morreu e foi sepultado numa das cidades de Gileade” (Juízes 12:7).

A Biblia dá base ao cristão para dizer que é favor à pena de morte? Paulo César dos Santos, Muriaé-MG

Inicio dizendo que não sou favorável a pena de morte. Contudo, é necessário esclarecer que meu posicionamento contra a pena de morte se deve a razões não bíblicas tais como a imperfeição da justiça humana. Também a sentimentos de emoções pessoais por não ter coragem de sentenciar ninguém à morte etc. Outro motivo é devido à imperfeição da justiça humana, ainda mais em um país onde só fica preso ladrão de galinhas, só seriam executados os mais desfavorecidos que não tivessem dinheiro para pagar um bom advogado. No Antigo Testamento o próprio Senhor Deus institui a pena de morte para alguns tipos de transgressões. Vejamos algumas passagens: Êxodo 21:12 Quem ferir a outro, de modo que este morra, também será morto. Êxodo 21:15 Quem ferir seu pai ou sua mãe será morto. Êxodo 21:16 O que raptar alguém e o vender, ou for achado na sua mão, será morto. Êxodo 21:17 Quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe será morto. Êxodo 22:19 Quem tiver coito com animal será morto. Levítico 20:10 Se um homem adulterar com a mulher do seu próximo, será morto o adúltero e a adúltera. Levítico 24:16 Aquele que blasfemar o nome do SENHOR será morto; toda a congregação o apedrejará; tanto o estrangeiro como o natural, blasfemando o nome do SENHOR, será morto. Números 35:16 Todavia, se alguém ferir a outrem com instrumento de ferro, e este morrer, é homicida; o homicida será morto. Números 35:17 Ou se alguém ferir a outrem, com pedra na mão, que possa causar a morte, e este morrer, é homicida; o homicida será morto. Números 35:18 Ou se alguém ferir a outrem com instrumento de pau que tiver na mão, que possa causar a morte, e este morrer, é homicida; o homicida será morto. Deuteronômio 18:20 Porém o profeta que presumir de falar alguma palavra em meu nome, que eu lhe não mandei falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta será morto. Estas são apenas algumas das passagens onde o Senhor institui a pena de morte. Portanto, a pena de morte não é algo absurdamente antibiblica. Em outras ocasiões o próprio Senhor manda que seu povo invada cidades e mate os seus moradores e, em alguns casos, até mesmo os animais. Em sua mente deve estar ecoando o mandamento “Não matarás”. Na verdade, o termo hebraico se refere ao assassinato. Seria melhor traduzido assim: “Não Assassinarás”. Se não for assim, haveria uma tremenda incoerência por parte de Deus. Primeiro Ele proíbe de matar e depois manda matar? Não faria sentido não é? Os que condenam os cristãos que são a favor da pena de morte dizem, e é verdade, que o Novo Testamento, não diz nada a respeito disso e, portanto, não devemos ser a favor de tal lei. Mas este silêncio não seria significativo? Caso fosse uma questão tão importante de ser revogada o Novo Testamento não deveria se manifestar contra? Aliás, em Romanos 13:4 lemos: “visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal.” Sabemos que é o estado e não o cidadão que pune os criminosos. Ninguém pode sair por ai castigando, prendendo ou matando os bandidos, mas em alguns países o estado decreta a pena dura aos criminosos, inclusive a pena de morte. Na época de Paulo a autoridade era o Império Romano no qual havia a pena capital e ele o chama de ministro de Deus. Então, não é sem razão que ele alerta para o fato das autoridades imperiais trazerem a espada, pois, até onde sei, a espada só tem uma finalidade. Então, o estado pode fazer o que é proibido ao cristão como indivíduo. Ele pode usar a força com o intuito de manter o bem e preservar a ordem. Concluo reafirmando que não sou a favor da pena de morte, mas que não acho absurdo um cristão ser a favor dela, pois a Bíblia não tem nenhuma condenação clara à pena de morte, muito pelo contrário a instituiu e em nenhum lugar a revogou.

É possível uma pessoa ser arrebatada em espírito em nossos dias? Leonardo, Rio de Janeiro-RJ

Há muitos anos li uma reportagem em uma revista evangélica sobre dois crentes que subiram ao monte para orar em noite de tempestade e um deles foi atingido por um raio vindo a falecer. Ainda me lembro da foto do outro irmão segurando a camisa chamuscada do falecido afirmando que ele havia sido arrebatado. Cito o exemplo para afirmar que está havendo uma banalização de alguns termos bíblicos. O cara quer desejar boa sorte ao outro e me sai com esta: "Eu profetizo uma boa viagem para você, varão!" Ao que o outro prontamente responde: "eu recebo a profecia e tomo posse!" Isto não é profecia no sentido bíblico da palavra, como também ser fulminado por um raio não significa ser arrebatado, mesmo porque o corpo do nosso irmão ficou estendido sobre a pedra. Tudo indica que o apóstolo Paulo teve uma experiência de ser arrebatado até ao terceiro céu, sendo que ele mesmo não soube definir se foi um arrebatamento corporal ou não (cf. 2 Co 12:2-4). O que me espanta é que o camarada tem um desmaio e diz que foi arrebatado. Uma vez vi um irmão deitado no meio de um canteiro cheio de matos e quando fui ajudá-lo a levantar-se um outro me interrompeu dizendo que ele estava arrebatado em espírito e que, pasme, estava regendo um coral de anjos. Sei que sua pergunta não é por experiências que vi (tem muitas outras) e sim se é possível ser arrebatado em espírito nos dias de hoje. Creio que é bastante improvável que isso aconteça nos dias de hoje. Contudo, não sou daqueles que colocam Deus na camisa de força e digo o que Ele pode e o que não pode fazer a menos que isto esteja claramente explicitado em Sua Palavra. Creio que seja bastante improvável que isso aconteça e não vejo muito propósito em ficar sendo arrebatado sei lá pra onde pra não sei o que. Muito melhor que ficar buscando estas experiências é muito mais proveitoso e traz mais edificação o debruçar-se sobre a palavra em leitura e meditação na Revelação de Deus para nós.

Estudando na classe de crianças sobre Josué, vimos a queda do muro de Jericó e a destruição de toda a cidade. Depois estava estudando a lição de Zaqueu, que diz que Jesus passava por Jericó e até curou um cego ali. Mas no livro de Josué diz que a cidade não poderia ser reconstruida. Jericó citada na história de Zaqueu é a mesma que foi destruida por Josué? Raniely Azevedo Silva, Carangola-MG

Sim, trata-se da mesma cidade que foi reconstruída em desobediência à proibição do Senhor. Foi assim que ressurgiu a cidade de Jericó: "Em seus dias, Hiel, o betelita, edificou a Jericó; quando lhe lançou os fundamentos, morreu-lhe Abirão, seu primogênito; quando lhe pôs as portas, morreu Segube, seu último, segundo a palavra do SENHOR, que falara por intermédio de Josué, filho de Num" (1 Reis 16:34).

Gostaria de entender a passagem de Isaías 11: 6-12. Trata-se do reino milenar terreno ou celestial? Como e onde se dará aquela comunhão entre homens, leões, vacas, ou seja, total harmonia? Domingos Piauhylino, Brasília-DF

Entendo que o texto em questão refere-se ao reino milenar do Senhor Jesus Cristo no Planeta Terra. Depois do arrebatamento da igreja, do tribunal de Cristo e das bodas do Cordeiro, Jesus voltará à Terra implantará seu reino e restaurará a criação ao estado original do Jardim do Éden. Em Romanos 8:19-22, somos informados que, devido a ordem atual (ou melhor, desordem) criação está gemendo e aguardando com expectativa o dia no qual ela será liberta do atual estado de desarmonia e desequilíbrio. A queda do Homem causou basicamente cinco divisões, a saber: 1) O Homem de Deus; 2) O Homem da Mulher; 3) O Homem de si mesmo; 4) O Homem da Natureza e 5) A Natureza da Natureza. A obra de Cristo visa desfazer plenamente as conseqüências da queda restaurando todas as coisas ao seu estado original. Assim no Reino milenar os animais não mais se devorarão, não mais atacarão os homens e nem os homens causarão dano aos animais e à natureza. A nova Ordem implantada pelo Senhor Jesus se caracterizará pela ausência de inimizade, crueldade e hostilidade. A paz reinará até mesmo entre os animais, O resultado último da redenção promoverá a paz perfeita na terra e sua presença transformará os homens e a natureza como (Is 35.9; Is 65.20-25; Ez 34.25-29). Para os mais céticos transcrevo abaixo um artigo atual falando de uma leoa que viveu toda a vida sem comer carne de qualquer tipo. "O LEÃO QUE NÃO QUERIA COMER CARNE Todos os leões são carnívoros ferozes que precisam comer carne para sobreviver? Aparentemente não! A revista australiana "Creation ex-nihilo" vol. 22, nº 2, de março-maio de 2000 publicou um artigo de David Catchpoole com o título acima, que não só apresenta um caso, real, inteiramente incomum, como também aponta para cumprimento de profecias que falam da restauração de nosso planeta às condições originais, com o leão e o cordeiro pacificamente pastando juntos! Segue a tradução do referido artigo: "No começo deste século, uma leoa africana, nascida e crescida nos Estados Unidos, viveu todos os nove anos de sua vida sem jamais comer carne. De fato, seus donos, Georges e Margaret Westbean, preocupados com publicações de cunho científico advertindo que os animais carnívoros não poderiam viver sem comer carne, tentaram de todos os modos induzir o seu incomum animal de estimação (ao qual deram o nome de "Little Tyke") a desenvolver o apetite pela carne. Chegaram até a anunciar uma recompensa em dinheiro para quem conseguisse elaborar uma ração contendo carne, que a leoa aceitasse. O curador de um jardim zoológico de Nova York aconselhou que o casal Westbean pusesse algumas gotas de sangue na mamadeira de Little Tyke para ajudá-la a se acostumar, mas a leoa, ainda pequena, recusou sequer tocá-la, mesmo quando somente uma única gota de sangue tivesse sido introduzida. Os mais famosos especialistas em animais, dentre os numerosos visitantes da fazenda Hidden Valley, de 40 hectares, dos Westbeans, também deram vários conselhos, mas nenhum deles funcionou. Nesse meio-tempo, Little Tyke continuava a passar extremamente bem, com sua dieta de cereais em grão, cozidos, ovos e leite. Aos quatro anos de idade, a leoa, já adulta, pesava 160 quilos. Com essa dieta, a leoa não só sobreviveu, mas manteve-se em excelente estado. Um dos mais capazes curadores de jardins zoológicos dos Estados Unidos teria dito que ela era o melhor espécime de sua espécie, que jamais houvera visto. Além de Little Tyke, os Westbans criavam também outras espécies de animais em sua fazenda. Um grande número de visitantes em Hidden Valley foi motivado pela perspectiva de ver o leão vivendo com o cordeiro, em situação semelhante à da profecia de Isaías 11:6. Ver a leoa vivendo placidamente em companhia de ovelhas, vacas e aves domésticas, causava profunda impressão em muitos visitantes. Filmes na televisão e fotografias de Little Tyke na imprensa também impressionaram muitas pessoas, como uma que escreveu: `Nada me fez mais contente do que a sua fotografia do leão e do cordeiro. Ela me ajudou a crer na Bíblia`." Fonte: http://www.scb.org.br/fc/FC62_07.htm Como podemos confirmar, é possível sim, um animal como o leão viver sem necessariamente comer carne ou sangue. Se isto é possível hoje, quanto mais no reino milenar previsto pela Bíblia. PS.: quem quiser mais informações sobre esta leoa pode encontrar informações em inglês via Google. Basta digitar o nome "Little Tyke" entre aspas que aparecerão vários links.

Gostaria de saber o que faz com que pra mim se torne tão difícil me firmar em uma igreja especifica. Isso é mesmo necessário? Creio que Deus é o meu Salvador e procuro seguir todos os seus mandamentos, mas ainda não encontrei a igreja que senti-me à vontade. Natália Oliveira, São Paulo-SP

Sem te conhecer e conhecer a igreja ou igrejas que você vai, fica difícil responder o motivo pelo qual é tão difícil para que você se firme em uma igreja. Quanto a sua pergunta: "Isso é mesmo necessário?", para esta eu tenho resposta, pois, como sempre deve ser feito, posso fundamentar a questão biblicamente. As descrições que a Bíblia faz dos convertidos são sempre em sentido de coletividade e nunca de individualidade. São usadas palavras tais como: rebanho, corpo e igreja (assembléia). Sabemos que um rebanho é um grupo de ovelhas, já um corpo é uma junção de vários membros todos úteis e necessários uns aos outros (cabeça, olhos, ouvidos, língua, braços, mãos, pernas, pés etc. Já a igreja (Eclésia) é uma assembleia de pessoas. Vemos pelas próprias palavras usadas por Deus para descrever o seu povo que elas indicam que as pessoas não estão sozinhas. Hebreus 10:24-25 diz: "Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima." O alvo do Senhor Jesus é ver seu povo reunido para a adoração e edificação mútua. Estes aspectos também são abordados nos seguintes versículos: "... E costumavam todos reunir-se, de comum acordo, no Pórtico de Salomão" (Atos 5:12b). "Diariamente perseveravam unânimes no templo..." (Atos 2:46a). A leitura deste e de outros textos da Bíblia, deixa claro que para os cristãos primitivos era inconcebível a ideia de que algum convertido não participasse das reuniões da igreja local. Nas reuniões da igreja recebemos o alimento espiritual através do ensino bíblico e da convivência com crentes mais maduros. O texto em Hebreus 10 nos mostra que nas reuniões da igreja é o ambiente propício para sermos estimulados "ao amor e às boas obras". Portanto, se não participamos de uma igreja local ficará difícil crescermos em áreas tão importantes como estas. Há alguns imperativos para o cristão que só podem ser obedecidos no contexto da convivência com irmãos em Cristo em uma igreja local. Estes imperativos podem ser divididos nas seguintes categorias: 1. Aceitação: a. "saudai-vos uns aos outros" (Rm 16:16) b. "sede mutuamente hospitaleiros" (1 Pe 4:9) c. "acolhei- vos (aceitai-vos) uns aos outros" (Rm 15:7) 2. Unidade: a. "sede uns para com os outros benignos, compassivos" (Ef 4:32) c. "cooperem os membros, com igual cuidado em favor uns dos outros" (1 Co 12:25) d. "tende o mesmo sentimento uns para com os outros" (Rm 12:16) e. "quando vos reunis para comer, esperai uns pelos outros" (1 Co 11:33) f. "amai-vos cordialmente... preferindo-vos em honra uns aos outros" (Rm 12:12) g. "considerando cada um os outros superiores a si mesmo" (Fp 2:3) 3. Submissão: a. "perdoando-vos uns aos outros, como Deus em Cristo vos perdoou" (Ef 4:32; Cl 3:13) b. "confessai vossos pecados uns aos outros" (Tg 5:16) c. "suportando-vos uns aos outros em amor" (Ef 4:2) d. "sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo" (Ef 5:21) 4. Edificação: a. "edificai-vos reciprocamente" (1 Ts 5:11; Rm 14:19) b. "exortai-vos mutuamente cada dia" (Hb 3:13) c. "consolai-vos uns aos outros" (1 Ts 4:18, 1 Ts 5:11) d. "levai as cargas uns dos outros" (Gl 6:2) e. "estais... aptos para admoestardes uns aos outros" (Rm 15:14) f. "consideremos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras" (Hb 10:24) g. "orai uns pelos outros" (Tg 5:16) h. "instrui-vos e aconselhai-vos mutuamente... com salmos e hinos" (Ef 5:19; Cl 3:16) i. "servi uns aos outros" (1 Pe 4:10) j. "vós deveis lavar os pés uns dos outros" (Jo 13:14) A Pergunta que fica é: Como eu e você cumpriremos os mandamentos acima se não participarmos de uma igreja local? é Possivel fazer isto sendo crente em casa? Veja só o exemplo abaixo: C. S. Lewis foi uma das mentes mais brilhantes do século XX. Ele era ateu e depois se converteu a Cristo. Como cristão ele freqüentou a mesma igrejinha durante trinta anos. A experiência não tinha nada de extraordinário a cada semana. Mas a longa obediência numa mesma direção moldou a vida de Lewis de um modo que nada mais poderia. Uma vez perguntaram para Lewis: "É necessário freqüentar um culto ou ser membro de uma comunidade cristã para um modo cristão de vida?" Sua resposta foi a seguinte: "Minha própria experiência é que logo que eu me tornei um cristão, cerca de quatorze anos atrás, eu pensava que poderia me virar sozinho, me retirando a meu quarto e lendo teologia, não frequentava igrejas ou estudos bíblicos; e então mais tarde eu descobri que era o único modo de você agitar sua bandeira... É extraordinário o quão inconveniente para sua família é você ter que acordar cedo para ir à igreja. Não importa tanto se você tem que acordar cedo para qualquer outra coisa, mas se você acorda cedo para ir à igreja é algo egoísta de sua parte e você irrita todos na casa. Se há qualquer coisa no ensinamento do Novo Testamento que é na natureza de mandamento, é que você é obrigado a participar do Sacramento (ceia do Senhor) e você não pode fazer isso sem ir à igreja. Eu não gostava muito dos seus hinos, os quais eu considerava poemas de quinta categoria com música de sexta categoria. Mas à medida em que eu ia eu vi o grande mérito disso. Eu me vi diante de pessoas diferentes de aparência e educação diferentes, e meu conceito gradualmente começou a se desfazer. Eu percebi que os hinos eram, no entanto, cantados com tamanha devoção e entrega por um velho santo calçando botas de borracha no banco ao lado, e então você percebe que você não está apto sequer para limpar aquelas botas. Isso o liberta de seu conceito solitário" (C. S. Lewis, God in the Dock, pp 61-62 – parêntese meu). Meu sincero desejo é de que minhas explicações te convençam dos grandes benefícios advindos de se freqüentar regularmente uma igreja local. O contrário também é verdade, há grandes prejuízos em não se ligar formalmente a uma igreja bíblica e não freqüentá-la regularmente. Caso necessite, posso te indicar algumas igrejas bíblicas da cidade de São Paulo onde, certamente, você experimentará os benefícios da vida cristã em comunidade.

Existe alguma base bíblica para afirmar que os sacerdotes eram amarrados ao entrar no Lugar Santíssimo? Marcos, São Bernardo do Campo-SP

Não existe base bíblica para esta afirmação. Todos sabemos que o Sacerdote só entrava no Santo dos Santos uma vez por ano e que havia uma série de ritos de purificação cerimoniais antes dele adentrar àquele recinto sagrado (cf. Lv 16:2-34; Nm 18:2-6; Hb 9:6,7). Contudo, me parece que isto aconteceu durante um determinado período da história dos Hebreus, pois já ouvi algumas pessoas bem informadas afirmarem que devido ao medo do sacerdote falecer quando estivesse lá dentro (visto que mais ninguém poderia entrar lá para tirar o defunto) eram colocadas campainhas na barra da sua veste e ele era amarrado com uma corda na cintura ou na canela. Assim, o barulho das sinetas mostraria que ele estava vivo e em caso de óbito era só arrastar o falecido lá de dentro sem violar o recinto. Há relato do falecimento de um sacerdote durante sua estada no Santo dos Santos o que teria motivado esta prática. Isto me foi confirmado por um professor de história da igreja que também conhece muito sobre a história dos Hebreus.

Na batalha de Davi e Golias, Davi apanhou 5 pedras para combater o gigante, alguns dizem que Golias tinha 4 irmãos e as pedras seriam 1 para cada um deles, isso é verdade? Marcio Augusto Dornelas, Belo Horizonte-MG

Fico aqui pensando em como há pessoas criativas na interpretação dos textos bíblicos. Já ouvi de uma outra pessoa ter feito uma outra interpretação. Para ele cada pedra significava uma qualidade de Davi. A 1ª pedra era a pedra da fé, a 2ª era a pedra da coragem, a 3ª era a pedra da obediência e por aí vai... Alguns afirmam que Golias tinha quatro irmãos com base em 2 Samuel 21:15-22 e 1 Crônicas 20:1-8. Contudo, o texto indica mais para o fato de que estas pessoas eram descendentes de gigantes do que o de serem irmãos do gigante Golias. Isto é feito usarem a palavra Hebraica "Rafa" como nome próprio e não como gigantes. Mesmo a NVI que traduz como "descendente de Rafa" admite que a probabilidade e que a palavra tenha sido usada no seu significado primário, ou seja, gigantes. A nota da NVI diz: "21:16 Rafa. Ao chamar de "descendentes de Rafa" (v. 22) os quatro guerreiros inimigos formidáveis mencionados nessa série, o escritor mais provavelmente os identifica como gigantes, como se dá a entender em Dt 2:10, 11, 20, 21. Nesse caso, talvez se relacionassem de alguma forma com os enaquins, embora enaquins (não refains) figurem com destaque no relato da conquista (Nm 13:22,28,33; Dt 1:28; Dt 9:2; Js 14:12,15; Jz 1:20). A verdade sobre o significado das pedras é o seguinte: cada pedra era uma pedra e nada mais que isso! Esta história de ficar tentando achar significado oculto nas passagens bíblicas é algo perigoso, pois acabamos por fazer Deus dizer o que Ele nunca disse. Ora bolas! Se Deus quis se comunicar conosco através da Sua Palavra Escrita, porque cargas d’água Ele iria ficar brincando de "esconde-esconde" na sua comunicação! Isto não faz o menor sentido! Portanto, meu querido irmão, cuidado, pois, nem tudo o que se ouve dos púlpitos está de acordo com a Palavra de Deus.

A letra de um cântico diz "coroamos a ti, ó Rei Jesus". É certo dizer que vamos coroar Jesus? Luis Sergio L. Silva, Miguel Pereira-RJ

Já ouvi este questionamento acerca deste cântico várias vezes. Uma vez, logo após uma reunião, um grupo de irmãos me questionou a respeito desta letra. Como eu sabia que, naquele caso, tratava-se mais de implicância com os cânticos que não eram dos Hinos & Cânticos (creio que este não seja o caso aqui), eu os respondi com outra pergunta. Perguntei por que ninguém ainda havia questionado o hino 500 que também diz: "No mundo como lá na luz, com glória O coroai!" e "Ao grande Autor da salvação com glória coroai!" A verdade é que no sentido literal nenhum ser humano pode coroar ao Senhor Jesus. Nem com glória e nem como Rei, nem aqui e muito menos no céu. A meu ver, a intenção dos dois autores em questão não é um coroamento literal e sim de modo conotativo. Significando um "coroamento" na vida do autor e de quem canta. Se cantamos com este segundo sentido o que creio que é o caso da maioria, senão todos os que cantam, não vejo problemas. Na igreja acabamos por mudar para "exaltamos a ti ó Rei Jesus" que é pra não criar caso, mas os implicantes deveriam exigir também que se mudasse a frase do hino, pois o cântico só faz o que o hino manda.

É apenas o homem à imagem e semelhança de Deus (Gn 1:27; 1° Co 11:7)? Monalisa, Uberaba-MG

Sim, a nenhum outro ser da criação divina é atribuído que também tenha sido feito a imagem e semelhança de Deus (cf. Gênesis 1:26, 27; 5:1; 1 Co 11:7). É preciso que fique bem entendido que esta semelhança não é física. Ela está ligada a atributos que Deus nos comunicou. Entre eles podemos destacar o fato de sermos seres pessoais. Como seres pessoais somos dotados de vontade, inteligência, capacidade de decidir, etc. Contudo, não se deve confundir personalidade com existência em corpo material, pois a personalidade engloba as qualidades que caracterizam a existência pessoal, distinguindo-a da existência impessoal e da vida animal.

Deus é onipresente. Isto significa que Ele está presente no inferno também (Sl 139:8)? Monalisa, Uberaba-MG

A Bíblia nos mostra que Deus é onipresente, ou seja, está em todos os lugares. Algumas pessoas quase me agridem quando eu digo que em todos os lugares significa que Ele também "está" no inferno. Esta reação se deve ao fato de entenderem que isto significaria que Ele estaria então sofrendo lá. Mas não podemos esquecer que Deus não pode ser atingido por algo que ele mesmo criou. Nada na criação material ou espiritual pode causar dor ao Deus Todo Poderoso! Por ser onipresente, Ele também é Onisciente. Ou seja, sabe tudo o que está acontecendo até mesmo no inferno. E sabe pelo fato de Sua pessoa preencher e, até mesmo, extrapolar todo o universo visível e invisível. Contudo, volto a repetir o inferno não causa qualquer tipo de tortura ao Criador.

Deus criou todas as coisas. Sendo assim, Ele criou o inferno? Monalisa, Uberaba-MG

Sim, Deus é o criador de tudo o que existe, inclusive o inferno. E ele o criou com um propósito bem definido. Ele o preparou para o diabo e seus anjos. Contudo, os homens que nesta vida seguem as diretrizes do diabo, em lugar de fazer a vontade de Deus, também serão lançados no lago de fogo (cf. Mateus 25:41).

Por que existem pessoas que nascem com doenças incuráveis? Monalisa, Uberaba-MG

Não há uma reposta única para esta pergunta, pois muitos são os motivos naturais pelos quais algumas pessoas já nascem com uma doença que os fará morrer. A verdade bíblica é que todos os males existentes no mundo, inclusive as doenças são conseqüência direta do pecado. Depois que nossos pais (Adão e Eva) desobedeceram a Deus estas coisas vieram como conseqüência da rebeldia deles. A partir de então todos os Homens já nascem para em um momento ou outro morrer. Às vezes ficamos pensando como Deus permite que um bebê herde de seus pais o vírus da AIDS. Ou como ele pode permitir que um bebê nasça sem cérebro, aleijados ou com uma doença incurável. A verdade é que estas coisas são conseqüências de uma escolha errada que os representantes da raça humana fizeram e todos nós colhemos as conseqüências até hoje. É resultado do nosso pecado.

Se a Bíblia diz que Deus enviou a salvação para os judeus, por que nós que somos gentios, que também fomos criados por Deus, não fomos dignos da salvação enviada por ele? Por que só fomos dignos após a rejeição dos judeus? André Rodrigues, Itararé-SP

É equivocada a idéia de que a Bíblia afirme que a salvação era somente para os judeus. Equívoco também é afirmar que só passamos a ser dignos da salvação após os judeus rejeitarem o Messias, Jesus. Talvez este equívoco surja pela leitura do seguinte versículo: "Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome" (João 1:11,12). Contudo, desde o Antigo Testamento fica claro que o plano de Deus era estender a oportunidade de salvação a todos os Homens. Mesmo antes de surgir o povo judeu vemos pessoas sendo salvas por Deus. Lembra de Enoque? Ele não era judeu e foi salvo. Em apenas quatro (04) pequeninos versículos lemos duas vezes que ele andava com Deus (Gn 5:21-24). E Deus nem mesmo o deixou passar pela morte e o arrebatou para junto de si (cf. Gn 5:24). Ainda temos Noé. Também não era judeu e pelo fato de ser um servo de Deus foi salvo pelo Senhor. Em meio a uma geração corrompida ele era homem justo e integro diante do Senhor (Gn 6:8,9). Depois destas coisas, Deus chama Abraão e meio as bênçãos lhe diz: "Em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gn 12:3). Observe que Deus se refere a todas as famílias da terra e não a todas as famílias hebréias. Acerca deste acontecimento Paulo afirma algo muito importante: "Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos" (Gálatas 3:8). Na verdade, ao lermos o Antigo Testamento percebemos que o propósito de Deus com a nação de Israel era que ela fosse usada para a salvação dos gentios. Eles deveriam servir de referência para as nações. Depois da travessia do Jordão Josué declarou: "Porque o Senhor vosso Deus fez secar as águas do Jordão diante de vós, até que passásseis, como o Senhor vosso Deus fez ao Mar Vermelho, ao qual secou perante nós, até que passamos para que todos os povos da terra conheçam que a mão do Senhor é forte" (Js 4:23,24). Davi também compreendeu o propósito missionário de Deus. Depois de dizer a Golias que o derrotaria na força do Senhor afirma: "E toda a terra saberá que há Deus em Israel" (I Sm 17:46b). Os Salmos estão impregnados com esta consciência de que Israel deveria ser testemunha do Senhor para as nações. "A ti virão todos os homens" (65:2b); "Aclamai a Deus toda a terra" (66:1); "...prostra-se toda a terra perante ti" (66:4); "Bendizei, ó povos, o nosso Deus" (66:8); "E todos os reis se prostrem perante ele; todas as nações o sirvam" (72:11); "... nele sejam abençoados todos os homens, e as nações lhe chamem bem-aventurado" (72:17b); "Todas as nações que fizestes virão, prostrar-se-ao diante de ti Senhor, e glorificarão seu nome" (86:9); "Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos as suas maravilhas" (96:3); "O Senhor fez notória a sua salvação; manifestou sua justiça perante os olhos das nações" (98:2); "Celebrai com júbilo ao Senhor todos os confins da terra" (98:4); "Louvai ao senhor todos os gentios, louvai-o todos os povos" (117:1). Salomão também parece ter entendido este chamamento missionário de Israel. Na dedicação do templo ele deixa isto bem claro. Diz ele: "Ouve tu nos céus, lugar de tua habitação, e faze tudo o que o estrangeiro te pedir, a fim de que todos os povos da terra conheçam o teu nome, para te temerem como o teu povo Israel, e para saberem que esta casa, que eu edifiquei, é chamada pelo teu nome" (I Rs 8:43; II Cr 6:33). Assim segue pelos profetas que também anunciavam esta abrangência da missão. "Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os limites da terra; porque eu sou Deus, e não há outro." (Is 45:22). "Então, darei lábios puros aos povos, para que todos invoquem o nome do SENHOR e o sirvam de comum acordo" (Sf 3:9). Podemos ver que em todo o Antigo Testamento, desde Gênesis, passando pelos patriarcas, pela história de Israel e pelos profetas, Deus queria que os gentios fossem salvos e levantou Israel para este propósito. Portanto, mesmo que a nação de Israel não tivesse rejeitado o Messias, mesmo assim, haveria, como sempre houve, oportunidade de salvação para os gentios.

Gostaria de saber se é possível um demônio interferir na vida emocional, espiritual, financeira, intelectual. Antonio Almeida, Salvador-BA

Esta é uma pergunta que é feita por muitos cristãos que conheço. Neste assunto há dois erros iguais e opostos: 1º) O cristão que vive assombrado com medo dos demônios e que vê o dedo do diabo em tudo; 2º) O cristão que vive como se o os demônios não existissem e não pudessem prejudicar sua vida. A verdade é que nós, os salvos, devemos nos conscientizar que estamos numa batalha cruenta, sem tréguas. Mas é preciso buscar o equilíbrio, pois somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou (cf. Romanos 8:37). Por exemplo, há crentes que têm medo de ficarem possessos por um demônio. Isso se deve a falta de conhecimento, pois um corpo que é templo do Espírito Santo não pode ser ocupado por um espírito imundo. Ele não pode entrar no salvo e fazer com que este perca posse das suas faculdades mentais e sensoriais. Portanto, o cristão não deve ter este medo. A Palavra diz: "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, Aquele que nasceu de Deus o guarda, e o Maligno não lhe toca" (1 João 5:18); "Filhinhos, vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo" (1 João 4:4); "Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós" (Tiago 4:7). Contudo, para responder sua pergunta, preciso dizer que os demônios podem sim atingir o salvo por vários meios de forma a prejudicá-lo seriamente. Derrotá-lo mesmo. Isso acontece quando o salvo dá lugar ao diabo, coisa esta que ele é alertado a não fazer. Antes de continuar citarei vários alertas que a palavra nos faz: "Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo"; "Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar" (1 Pedro 5:8); "para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios" (2 Coríntios 2:11); "Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo" (Efésios 6:11). Ou seja, Satanás e seu anjos (demônios) podem nos prejudicar seriamente. Bem cedo na história da igreja o vemos seduzindo e prejudicando os servos do Senhor. Houve um casal que não vigiou e Satanás falou ao coração deles para que eles mentissem na igreja. Refiro-me a Ananias e Safira. Vejamos: "Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo?" (Atos 5:3). O resultado desta mentira foi o falecimento instantâneo do referido casal. Nem mesmo o apóstolo Paulo escapou de ser prejudicado pelo diabo, senão vejamos: "E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte" (2 Coríntios 12:7). Em outra ocasião ele interferiu nos planos ministeriais do aposto Paulo. Veja só: "Por isso, quisemos ir até vós (pelo menos eu, Paulo, não somente uma vez, mas duas); contudo, Satanás nos barrou o caminho" (1 Ts 2:18). Satanás e seus anjos estão a postos procurando ocasião contra os salvos, os filhos de Deus e não perderá qualquer oportunidade, qualquer brecha que venhamos dar a ele. Se demos lugar a ele em qualquer área da nossa vida seremos seriamente prejudicados. Ele e seus asseclas até mesmo se disfarçam de anjos bons para enganar os incautos. Vejamos: "E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz" (2 Coríntios 11:14ss). Por isso é importante estamos atentos ao alerta do apóstolo João: "Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora" (1 João 4:1). Mas o cristão fiel, que sinceramente busca agradar a Deus, que busca a Sua direção em tudo, este cristão dificilmente será vítima dos demônios. Pode descansar em Deus, pois se o diabo está em derredor, o anjo do Senhor está ao nosso redor para nos proteger. "O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem e os livra" (Salmo 34:7). O melhor que podemos fazer é "botar o diabo pra correr". Não com declarações e decretações, não com a mania de amarrar o diabo e muito menos, como diz uma música evangélica tola, empurrando o diabo ladeira abaixo. Faremos isso obedecendo a Palavra de Deus, ou seja, nos submetendo a Ele. É necessário ainda resistir às investidas malignas. Assim, conforme a Palavra de Deus, ele fugirá de nós. Vou repetir o versículo: "Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós" (Tiago 4:7). Outro conselho que a Palavra tem para nós é o seguinte: "Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis" (Efésios 6:11-13).

O cristão divorciado por razões óbvias pode tomar a santa ceia? Ariovaldo A. C. Silva, Piracicaba-SP

Sua pergunta está um tanto quanto vaga. “Razões óbvias” pode significar várias situações. Se a pessoa se divorciou e não se casou novamente não vejo absolutamente nenhum problema em ela participar da ceia do Senhor. No entanto não sei se este é o caso ou qual foi o motivo da separação. Foi abandonado? O coração já está livre de mágoas? Já pediu perdão? Foi traído? Tentou salvar o casamento ou simplesmente deixou a coisa acontecer? Seguiu as orientações dos líderes da igreja local? Quando se converteu já estava divorciado? De uns tempos pra cá estou entendendo que cada caso deve ser analisado em separado e que o assunto não deve ser tratado por “atacado”.

Que lição podemos tirar do episódio do capítulo 19 de Juízes onde o corpo de uma concubina é dividido em 12 partes e espalhado por todo o Israel? Domingos Piauhylino, Brasília-DF

Aquele terrível episódio do estupro coletivo da concubina do levita por parte dos moradores de Gibeá que eram benjamitas, que nos é descrita no capítulo 19 de Juízes, nos mostra a profunda queda moral daqueles homens. Foi indescritível a abjeta falta de senso moral que reinava entre eles. É impossível ler este texto e não se lembrar do que aconteceu em Sodoma quando alguns dos seus moradores tentaram abusar sexualmente dos dois anjos hospedados na casa de Ló (Gn 19). Digno de repúdio também foi o fato dos benjamitas não terem entregado os autores de tamanha maldade para que fossem punidos pelas outras tribos de Israel que haviam ficado profundamente indignados com o estupro e morte da mulher do levita. Tal teimosia os levou a guerra que quase causou a extinção de sua tribo. Os benjamitas não deveriam ter colocado o sentimento de corporativismo acima dos preceitos da Lei de Deus, e pagou com muitas vidas por este erro grosseiro. Quanto ao significado do levita ter dividido sua mulher em doze partes não vejo como tirar nenhuma lição espiritual no fato em si. Creio que ele a dividiu em 12 pedaços para que todas as 12 tribos pudessem tomar conhecimento do fato ocorrido em Gibeá e os culpados fossem punidos. É possível que algum alegorista queira ver algum significado espiritual neste esquartejamento e ai se faz a maior “festa” em cima do texto. Como em nenhum outro local da Bíblia o acontecimento é novamente citado (nem por Jesus ou os apóstolos), não creio haver significado especial para o acontecido.

Gostaria que me falassem a respeito da Homeopatia à luz da Palavra de Deus. Thayz Machado, Vila Velha-ES

Até onde entendo a palavra de Deus não fala nada a respeito da homeopatia e, portanto, fica difícil falar da homeopatia à luz da Bíblia. O tratamento homeopático é feito através do uso de substâncias que causam os mesmos sintomas da enfermidade em doses muito pequenas que provocariam uma reação do sistema de defesa do corpo humano. Atualmente a homeopatia foi reconhecida e, até mesmo, incluída no SUS; sendo também coberta por alguns planos de Saúde. Algumas pessoas vêem por trás da homeopatia alguma dose de esoterismo e até mesmo de feitiçaria. Sinceramente vejo que na maioria das vezes o esoterismo não é da homeopatia em si e sim de alguns homeopatas. Portanto, a questão não é a homeopatia em si e sim a forma como ela venha a ser apresentada. Se além do medicamento for exigido algum tipo de ritual supersticioso, então devemos evitar este homeopata, assim como evitaríamos um alopata que nos desse medicamentos juntamente com algum tipo de encanto ou coisas deste tipo. É até possível que já tenhamos nos tratado com um alopata que seja feiticeiro ou esotérico e os medicamentos que ele nos receitou fizeram bem por serem frutos de pesquisa cientifica e não de crendices. Assim, sendo a homeopatia ou mesmo a alopatia deve ser analisadas à luz do profissional que a aplica observando se está baseada somente na parte científica ou em crendices contrárias a fé crista.

Estou com dívidas e há mais de três meses não consigo devolver meu dízimo. Até então, pagava todo mês. O que fazer para me livrar dessas dívidas? Quero voltar a ser Dizimista. Preciso pagar os que estão atrasados? Com juros? Como calcular? Alinne

Em primeiro lugar quero parabenizá-la por procurar ser uma colaboradora na obra do Senhor. Poucos hoje se preocupam em investir financeiramente na seara do Senhor e por isso há tanta necessidade de recursos no campo missionário. Quanto ao fato de você ter se “atrasado” na entrega das suas ofertas (no seu caso você optou por ser dizimista). Creio que se foi por um motivo de força maior o Senhor sabe e você não precisa se sentir devedora a Ele. A Bíblia é clara quanto ao fato de que todo cristão deve investir no Reino de Deus (Cf. I Co 16:10 – “cada um”). Muito além de ser uma obrigação é um privilégio uma graça que o Senhor nos concedeu (cf. II Co 8:4 – “a graça de participarem”). Não entendo que a oferta é um pagamento (pagar o dízimo) e nem que se por um motivo ou outro, em dos meses, eu não possa contribuir eu fique devendo o dízimo, como se fosse um carnê bancário. Você diz que deseja voltar a ser dizimista. Pois bem, continue daqui pra frente. Tranqüilize o seu coração e continue a contribuir da fora que o Senhor a orientar. Eu assentei no meu coração o propósito de contribuir no mínimo com 10 por cento do que ganho. Não no sentido do dízimo legalista que algumas igrejas pregam. É que nesta questão eu decidi ser no mínimo igual aos contribuintes do tempo da Lei. Pois conheço pessoas que criticam duramente os dizimistas, mas nem com o equivalente a isto eles contribuem na obra de Deus. Por isso procuro contribuir e aconselho as pessoas a procurar ser no mínimo dizimistas. Isso porque, apesar de não estabelecer porcentagem, o Novo Testamento ensina o princípio da proporcionalidade na contribuição dos crentes. Veja o que diz I Co 16:2: “No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for”. Inclusive há também, guardadas as devidas proporções, a proporcionalidade nas bênção advindas da fidelidade na contribuição. Senão vejamos: “E isto afirmo: aquele que semeia pouco pouco também ceifará; e o que semeia com fartura com abundância também ceifará” (II Co 9:6). Mas não trate a contribuição que não conseguiu fazer como uma dívida que faria com que Deus a amasse menos. Ele ama aqueles que dão com alegria e não aqueles que contribuem com peso no coração ou como se fossem obrigados a contribuir (cf. II Co 9:5). Caso queira saber um pouco mais sobre contribuição favor ir ao seguinte endereço: http://paginas.terra.com.br/religiao/jabesmar/contribuicao.htm

Sou casada com um homem alcoólatra, que não quer parar de beber, não aceita que ninguém fale nada com ele sobre a bebida. É muito ignorante, estúpido, me ofende todos os dias, me ridiculariza, humilha, etc. Não agüento mais passar por isso todos os dias. O que posso fazer? A igreja permite que eu me separe dele? Célia, Cachoeiro do Itapemirim-ES

Sua situação é muito difícil e imagino que passe maus bocados. Como não sei em que circunstância a senhora casou-se com esta pessoa que hoje é seu marido, terei que fazer algumas suposições. 1) Será que você já era convertida e, em desobediência a Deus, casou-se com um descrente achando que o converteria? Conheço muitas pessoas que agem assim e depois amargam anos a fio de prejuízo físico, emocional e espiritual. 2) Será que a você e ele freqüentavam uma igreja e depois ele desviou-se e adentrou ao vício do álcool? 3) Outra possibilidade é que a senhora era descrente e, depois de casada, veio a converter-se não sendo acompanhada nesta decisão por seu cônjuge. Na Primeira hipótese, que acho ser a mais provável, a senhora só estaria colhendo o fruto da desobediência a Palavra de Deus. Muitas pessoas crentes fazem uma idéia muito romântica do casamento em jugo desigual e não pensam que viver o dia a dia com uma pessoa que n/ao tem a mesma fé seja um processo difícil. Nunca param pra pensar que a tendência da maioria das pessoas descrentes é a bebida, o adultério etc. Depois de algum tempo surgem as desavenças, as ofensas, a humilhação, os maus tratos, a estupidez e outras coisas mais; e então, quando se vêem nesta situação, já é tarde. Na segunda e terceira hipóteses, há, por assim dizer, uma atenuante emocional, pois você não teria procurado este problema. Aconteceu por causa das circunstancias da vida. O que fazer numa situação destas? Em qualquer dos casos meu conselho é que você continue orando pelo seu cônjuge. Peça aos irmãos da igreja para orarem por vocês. Faça de tudo para salvar o seu casamento. Pode parecer impossível seu marido mudar de atitude, mas para Deus nada é impossível!

Como tentar ganhar o marido descrente para Cristo? Apontando seus erros? “Buzinando” o dia inteiro na sua cabeça? O que a Bíblia diz? Vejamos: “Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa, ao observar o vosso honesto comportamento cheio de temor” (I Pe 3:1,2).

Tente ver que por trás deste homem ignorante e estúpido há um ser humano carente da graça de Deus. Você viu algo precioso nele, tanto é que foi por sua livre escolha que você o elegeu para ser seu marido. Tente vê-lo como uma jóia de ouro jogada na lama, está suja, é verdade, mas ainda assim é uma valiosa jóia. Contudo, há mais um versículo que talvez se encaixe na sua situação. Isto é, se for o caso de você tiver se convertido depois de casada. Veja: “Aos mais digo eu, não o Senhor: se algum irmão tem mulher incrédula, e esta consente em morar com ele, não a abandone; e a mulher que tem marido incrédulo, e este consente em viver com ela, não deixe o marido. Mas, se o descrente quiser apartar-se, que se aparte; em tais casos, não fica sujeito à servidão nem o irmão, nem a irmã; Deus vos tem chamado à paz” (I Co 7:12, 13, 15).

Quanto a outros detalhes, você deve procurar a liderança espiritual da igreja onde você é membro e se aconselhar com ela. No Antigo Testamento se fala em guardar o dia de sábado. Por que se fala que domingo é o dia do Senhor? Valéria Figueiredo, Rio de Janeiro-RJ

É verdade que no Antigo testamento Deus ordenou aos filhos de Israel que guardassem o dia de sábado. Ou seja, o sábado faz parte da Antiga Aliança ou concerto de Deus com o povo de Israel. Com a vinda do Messias, Jesus Cristo, foi inaugurada uma nova aliança. Àqueles que estão em Cristo, estão debaixo da nova aliança e não mais estão sujeitos a observar os inúmeros ritos no AT, inclusive a guarda do sábado. Foi para isso que Cristo cumpriu cabalmente a Lei em nosso lugar, pois não há um único ser humano que conseguiria cumpri-la 100%. Por isso todos são culpados. Senão vejamos: “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” (Tiago 2:10). Tendo Jesus cumprindo a Lei em nosso lugar, nós não estamos mais obrigados a cumprimento de ritos e preceitos para da Lei para sermos aceitos por Deus. Ele nos aceita em Cristo que efetuou a nossa libertação. Veja só: “tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz” (Colossensses 2:14 – negrito meu). “Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz” (Efésios 2:14-15 – negrito meu). Citei os versículos acima (existem outros) para mostrar que a igreja de Cristo não está sujeita a guarda do Sábado. Mas também é meu entendimento que não estamos sujeitos a guardar o Domingo nos mesmos moldes que os judeus guardavam o Sábado. Ou seja, como uma ordenança do Senhor. Em romanos lemos: “Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente” (14:15). Eu me incluo entre os que julgam todos os dias iguais, ou seja, pra mim não tem um dia mais santo que o outro. Todos os dias são do Senhor e em todos eles procuro serví-Lo. Você também pergunta: “Por que se fala que domingo é o dia do Senhor?” Esta expressão foi usada pelo apóstolo João em relação ao domingo em Apocalipse 1:10. Dia do Senhor se referia ao dia de Jesus, pois o domingo passou a ter um significado especial para a igreja primitiva. Repetirei abaixo algo que já escrevi em outro consultório, mas que julgo pertinente ao seu questionamento. Uma série de acontecimentos nos mostra a importância que passou a ter para a igreja o primeiro dia da semana, ou seja, o Domingo. [1] Em primeiro lugar, é notável o fato de Jesus ter ressuscitado dentre os mortos no Domingo (cf. João 20:1). [2] Neste mesmo domingo Ele apareceu aos seus discípulos (cf. João 20:19). É digno de nota que João faz questão de frisar que era domingo ao escrever que na tarde “daquele dia, o primeiro da semana”. [3] Uma semana depois, ou seja, no outro domingo, Jesus aparece novamente aos seus discípulos (cf. João 20:26). [4] A igreja foi inaugurada no domingo, pois o dia de Pentecostes sempre caía no domingo (cf. Levítico 23:16). O livro de Atos registra: “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar...” (At 2:1ss). [5] A primeira pregação e o primeiro batismo de crentes, em nome do Pai, do filho e do Espírito Santo, foi realizado naquele mesmo domingo da festa de pentecostes (Atos 2:14) [5] Temos o registro que a igreja em Trôade se reuniu no domingo para a ceia do Senhor (Atos 20:7) [6] Paulo instruiu os crentes de Corinto a separar sua oferta no primeiro dia da semana (Atos 16 2). Os acontecimentos acima se deram, sem sombra de dúvidas, no domingo e, certamente, este dia ficou marcado na mente dos discípulos e dos crentes primitivos. Há evidencias de que muito cedo, na história da igreja, os crentes começaram a se reunir aos domingos, costume este que atravessou os séculos e, ainda hoje, é observado pela maioria quase que absoluta da cristandade dos nossos dias. Portanto, apesar de não termos um mandamento de nos reunir aos domingos, temos evidências mais que o suficiente para justificar o fato de, como igreja, nos reunirmos aos domingos para adorar, louvar ao Senhor e estudar a Sua Palavra.

Se eu minto com intenção de mentir, mas aquilo que eu falei era verdade, mas eu pensava que não era, eu pequei? Vou dar um exemplo: Me perguntam se eu tenho 50 reais na carteira. Eu acho que tenho apenas 25, mas digo que tenho 50. Porém, ao verificar eu vejo que tenho 50 mesmo. Rodrigo, Franca-SP

Todas as vezes que mentimos intencionalmente é certo que pecamos. Você achava que tinha apenas R$ 25,00 e disse que tinha R$ 50,00. Isto é mentira! Deus julga a intenção e sua intenção foi mentir. O contrário é que não seria pecado, ou seja, você tinha os R$ 50,00, mas achava que só tinha R$ 25,00. Ao ser perguntado você diz que só tem os R$ 25,00, mas, ao verificar, vê que tinha os R$ 50,00. Sua intenção não foi a de mentir, você apenas se enganou, portanto não teria cometido pecado. Neste caso seria aconselhável procurar a pessoa e dizer que cometeu um equivoco. Espero ter conseguido explicar a sua dúvida.

Há algum lugar onde está escrito que o Espírito Santo não habita em corpo/templo sujo? John, Campinas-SP

Não me recordo de jamais de ter lido na Bíblia que o Espírito Santo não habita em corpo/templo sujo. Já vi pregadores afirmar que Deus não usa vaso sujo, ou seja, crentes de vida torta. Concordo com eles. Mas daí a afirmar que o Espírito Santo não habita em um crente carnal, por exemplo, há uma enorme distancia. Na verdade o Espírito Santo habita em todo aquele que se arrependeu dos seus pecados e recebeu a Jesus como seu único e suficiente Salvador. No meu caso, por exemplo, o Espírito Santo veio habitar em uma pessoa altamente embriagada. Senti esta habitação com uma “força” muito grande e posso te assegurar que meu corpo não estava lá estas coisas em termos de limpeza. Estava cheio de álcool e tabaco. Contudo, o cristão deve abandonar seus pecados e vícios para que o Espírito Santo possa manifestar a plenitude da Sua presença na sua vida. Quanto mais plenos do Espírito nós estivermos, mas parecidos com Cristo seremos e faremos a vontade de Deus. Seremos agradáveis e aceitáveis na Sua presença. Portanto, o cristão genuíno deve buscar estar com a vida limpa, não para que o Espírito Santo venha habitar nele, mas pelo fato de que o Espírito Santo já habita nele. Assim sendo, ele, como o templo do Espírito Santo, deverá comportar-se como tal, pois caso contrário apagará a atuação do Espírito na sua vida.

Em Gn 10:25 existe uma relação entre o nome Pelegue e um fato ocorrido em sua época - a terra foi dividida. Eu gostaria de saber o que realmente significa esta divisão. Thiago Mattos, Canguçu-RS

O nome Pelegue significa “divisão”. Ao que exatamente se refere esta divisão é matéria para conjecturas. A divisão aqui mencionada é enigmática e as suposições são: a) A dispersão dos descendentes de Noé pela face da terra devido à confusão das linguagens na construção da Torre de Babel (cf. Gn 11:7-9). Surgindo assim as divisões territoriais dos povos. b) Há os que propõem que nesta época houve um cataclismo que teria dividido a terra em continentes em uma velocidade no princípio bem rápida e que foi diminuindo gradualmente. Tenho entendido que a hipótese mais provável seria a divisão territorial causada devido a confusão das línguas, quando um grupo de indivíduos passou a não entender os outros e assim cada um foi se juntando com quem podia se comunicar. Assim a grande multidão que se reunira na cidade onde estava sendo construída a Torre de Babel formou se dividiu formando os vários povos da antiguidade. Contudo, como iniciei dizendo, são apenas suposições e não posso dogmatizar minha opinião.

Gostaria de um esclarecimento sobre o batismo dos mortos que o apóstolo Paulo trata na sua 1ª Corintios 15. Carlos Cesar Alves Barbalho, Santo André-SP

Para a maioria dos cristãos este é um dos textos mais “complicados” e já foram sugeridas umas 40 interpretações para ele. No meu entendimento muitas delas são simplistas, umas outras forçadas e ainda outras que são apenas maneiras de fugir do problema que o versículo em questão nos apresenta. O contexto no mostra que Paulo está defendendo a doutrina da ressurreição dos crentes para o gozo eterno. Parece que alguns cristãos heréticos estavam ensinando que os mortos não ressuscitam. O apóstolo está mostrando que se não há esperança de ressurreição para uma vida eterna, a vida cristã não faz o menor sentido. No caso dos cristãos primitivos o absurdo era maior ainda! Se o cristianismo é apenas um estilo de vida para este mundo, para que sofrer perseguição e até mesmo a morte? Por que se privar de prazeres e alegrias terrenas? Por que, então, já que a vida é só aqui, não viver de modo a aproveitá-la da melhor forma que pudermos? (cf. I Co 15:30-32). E pior! Se não há ressurreição de mortos, então Cristo não ressuscitou. Se Ele não ressuscitou nossa fé e esperança são vãs, pois não fomos libertos dos nossos pecados (cf. I Co 15:17; Rm 4:25). Paulo afirma: “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens” (I Co 15: 19). Colocarei aqui três possibilidades que entendo serem as mais prováveis, portanto, não serei dogmático. 1) É possível que cristãos heréticos estivessem se batizando pelos seus entes queridos que se converteram mas que haviam morrido sem ter tido tempo de ser batizados. Apesar de improvável é possível que isso estivesse ocorrendo em Corinto. 2) É possível que cristãos heréticos estivessem se batizando pelos seus entes queridos que morreram sem Cristo e sem esperança de salvação com o intuito de salvá-los por este ato ao colocar-se no lugar deles. Um tipo de indulgência como a que foi praticada pela igreja da Idade Média onde se podia comprar a salvação dos parentes depositando dinheiro no caixa da Igreja Papal. As possibilidades acima vã