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O USO DO VÉU

Jabesmar A. Guimarães

 

1 Co 11:2-16

             Em sua primeira carta aos crentes de Corinto, no capítulo 11, encontramos Paulo argumentando sobre o motivo pelo qual a mulher cristã deve cobrir a sua cabeça durante o culto público da igreja local. É bastante provável que, ao expor o porquê de as irmãs cobrirem a cabeça, o apóstolo esteja respondendo a uma pergunta desta igreja em relação a este assunto, pois nesta epístola ele responde a outras perguntas (cf. 12:1). O que levou Paulo tratar sobre este assunto, muito provavelmente se deveu ao fato de algumas irmãs não estarem cobrindo a cabeça durante o culto da igreja em Corinto.

            Existe um quase consenso de que, na época do Novo Testamento, todas as mulheres do vasto Império Romano usavam uma cobertura sobre a cabeça, principalmente fora de casa. Essa visão vem mais de filmes e figuras do que de uma pesquisa histórica séria. Naquela época havia três culturas que se destacavam mais, as duas primeiras são as romana e a grega e, para nós cristãos, a cultura judaica que era minoritária. Nas culturas romana e grega não havia a exigência das mulheres cobrirem a cabeça em público.

É bom lembrar que nos dias de Paulo, Corinto era uma cidade romana. Aquela cidade teve dois momentos históricos. A primeira cidade foi destruída em 146 A.C. Um Século depois, ela foi reconstruída pelo Imperador Júlio Cesar como uma cidade romana, com costumes romanos, arquitetura romana, moeda romana, leis romanas etc. Foi nessa nova Corinto que Paulo pregou.

            A pergunta que pretendo responder nesse estudo é: quais seriam as razões para uma mulher cristã cobrir a cabeça nas reuniões da igreja? Porventura há um motivo que justifique que, ainda hoje, em pleno século XXI isto seja observado? É necessário o uso de cobertura por parte das irmãs nos cultos públicos da igreja?

            Essas e outras perguntas têm sido feitas por muitas pessoas e merecem uma resposta clara e com base no que a Bíblia diz.

            Para que possamos entender melhor este assunto é bom que tenhamos em mente que 1 Coríntios fala de símbolos importantes na igreja de Jesus Cristo, os quais são: a cabeça, o pão e o vinho. Todo cristão bíblico sabe que o pão simboliza o corpo de Cristo que foi morto em nosso lugar, bem como o vinho simboliza o seu sangue derramado em nosso favor para lavar nosso pecado e que a cabeça simboliza uma hierarquia divinamente estabelecida.

            Vou iniciar, esclarecendo um ponto que tem sido usado para dizer ser desnecessário o uso do véu ainda hoje. Trata-se da palavra tradições. No versículo 2 lemos: “De fato, eu vos louvo porque, em tudo, vos lembrais de mim e retende as tradições assim como vo-las entreguei” (negrito meu). Será que o apóstolo Paulo que é conhecido por pregar contra o legalismo e tradições humanas (cf. Rm 14:1-10 e Cl 2:20-23) viria agora implantar uma tradição humana na igreja em Corinto?

            Na carta de Paulo aos Tessalonicenses ele os exortou: “irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa” (2 Ts 2:15 – negrito meu). Então Paulo não está falando de regras humanas, antes, a palavra “tradições”, deve ser entendida como “instruções” ou “ordenanças”. Ademais, sabemos que as epístolas do Novo Testamento são tidas como a tradição apostólica normativa para a Igreja de Cristo.

Quase tudo o que sabemos e praticamos na fé cristã nos foi transmitida pelos apóstolos do Senhor Jesus Cristo. Ou seja, nós vivemos, o pelo menos deveríamos viver, seguindo a tradição apostólica! Isso porque a Bíblia nos diz que os da família de Deus (Igreja) são “edificados sobre o fundamento dos apóstolos...” Esse é o tipo de “tradição” que Paulo entregou aos crentes em Corinto e é essa tradição epistolar que a Igreja de Cristo deve obedecer até o dia que Ele vier arrebatá-la.

Com isso em mente tentemos entender os motivos expostos por Paulo para justificar o uso de cobertura na cabeça por parte da mulher cristã nos cultos da igreja local.

 

Antes, porem, vejamos um resumo do que tem sido ensinado por alguns teólogos ao longo dos anos. Ao final do estudo mostraremos muitos outros.

 

 

 

 

           A seguir o apóstolo passa a mostrar os motivos pelo qual a mulher cristã deve usar cobertura na cabeça nas reuniões da igreja.

 

I.         HÁ UMA HIERARQUIA DIVINAMENTE INSTITUÍDA.

Esta hierarquia é posta na seguinte ordem:

 

Onde cada um dos três primeiros é cabeça do seguinte. Nesta Passagem cabeça não deve ser entendida como um sinal de superioridade e sim como a autoridade advinda da fonte de origem (cf. vv. 8,9). Por exemplo, a Bíblia é clara em dizer que Deus e Jesus Cristo são iguais (na verdade são um cf. Jo 518; Fp 2:6), mas como o Homem, como o segundo Adão, Jesus proveio de Deus. Como homem Jesus derivou-se de Deus. É nesse sentido que Deus é cabeça de Cristo. É Também nesse sentido que o homem é cabeça da mulher. Em Gênesis 2 temos a narrativa da criação onde certa prioridade é atribuída ao homem (cf. Ef 5:22ss.; Cl 3:18, 19; I Tm 2:11ss.). Lemos que a mulher derivou-se do homem quando, da costela deste, Deus a formou.

O motivo apresentado por Paulo está claramente enraizado na Criação e naquilo que Deus estabeleceu desde o princípio ainda no Jardim do Édem, ou seja, que o homem foi colocado como o cabeça, o líder, da mulher. Deixe-me exemplificar isso com o seguinte exemplo: Qual dos dois habitantes do Édem desobedeceu a Deus primeiro e comeu o fruto proibido? Foi Eva, não é mesmo? Agora atentem para o seguinte: Quando Deus veio cobrar a rebeldia do casal, a quem Ele se dirigiu? a Eva? Não! Ele dirigiu-se a Adão, pois ele era o responsável, o líder.

Uma acusação recorrente a quem defende o uso do véu e suas implicações é a de ser machista. Alguns deles dizem que Paulo não gostava das mulheres, que era machista etc. Portanto, preciso deixar claro que não tenho nada contra as mulheres. Sou neto de duas mulheres, filho de uma mulher, casei com uma mulher e sou pai de duas filhas. Portanto, acho o universo feminino uma maravilha! Então, não se trata de machismo e nem de feminismo, mas de atentar para a Palavra de Deus.

Essa hierarquia foi dada por Deus para estabelecer a distinção de papeis entre os sexos opostos. Tanto na igreja como no lar Deus estabeleceu papeis distintos para o homem e para a mulher. De novo, é preciso deixar bem claro que isso não tem nada a ver com superioridade e inferioridade, como se um fosse melhor do que o outro. Deus valoriza igualmente as pessoas de ambos os sexos. Tanto é que o Filho dEle morreu para salvar a ambos.

            É com a argumentação da distinção de funções entre os sexos e da autoridade dada por Deus ao homem para liderar que Paulo inicia o assunto do uso de cobertura na cabeça das mulheres nas reuniões da igreja local. A Seguir, ele continua a explicar qual deve ser a postura do homem e da mulher nas reuniões da igreja. A partir do versículo quatro (4-10) ele faz isso de forma mais direta. Vejamos, então, o segundo motivo dado pelo Espírito Santo, através do apóstolo Paulo, para que a mulher cubra a cabeça no culto.

 

 II.        HÁ UMA QUESTÃO DE GLÓRIA E HONRA (4-10) 

 Paulo deixa claro que a distinção das funções entre os sexos opostos, que foi determinada na criação, não foi abolida pela salvação em Cristo Jesus. Ele afirma que todo homem que ora ou profetiza com a cabeça coberta desonra (envergonha) a sua cabeça espiritual que é Cristo. No versículo sete (7) ele mostra que a razão pela qual o homem não deve cobrir a cabeça é por ser ele “a imagem e a glória de Deus”.

Como o ponto culminante da criação, o homem mostra a glória de Deus. Sendo assim, ao cobrir a sua cabeça, ele estaria desprezando o lugar que lhe foi dado por Deus na ordem da criação. Por este motivo não é apropriado que a glória de Deus (o homem) se apresente com a cabeça coberta perante Ele nas reuniões da igreja local.

Por outro lado, a Palavra de Deus afirma que a mulher que ora ou profetiza sem usar cobertura desonra a sua própria cabeça (o homem e, por extensão, a Cristo?). É então empregada uma linguagem bastante forte afirmando que é tão vergonhoso a mulher orar com a cabeça descoberta quanto seria ter a cabeleira rapada. Dizem alguns historiadores que em Corinto, ter o cabelo tosquiado era identificar-se como uma das prostitutas cultuais[1] daquela cidade. Se isso é verdade, o apóstolo queria que as irmãs entendessem que era tão vergonhoso orar com a cabeça descoberta quanto seria ser identificada como uma prostituta de um culto pagão. Outros historiadores afirmam que a Corinto que era extremamente licenciosa tinha sido aquela cidade destruída em 146 A.C. e que a cidade com o mesmo nome, também era moralmente licenciosa, mas não tanto quanto a anterior.

Todavia, mesmo que a segunda opção seja verdadeira, não há como negar a importância que as mulheres dão ao seu cabelo, inclusive às mulheres cristãs. Quando, por motivo de saúde ou outro qualquer (numa quimioterapia, por exemplo), uma mulher perde seus cabelos, ela se sente muito mal e até mesmo envergonhada. A reação comum é colocar uma peruca ou, no mínimo, um lenço para ocultar a calvície. Então, independente da situação histórica, a afirmação do apóstolo sobre a vergonha da mulher em ter o cabeça rapada, em especial uma mulher cristã, perdura até hoje. E isso pelo fato que que Deus deu a elas o cabelo como glória e colocou no coração delas a inclinação em ter um especial zelo e cuidado para com o cabelo. O que a palavra glória (doxa) significa? Significa "louvor e honra", o resultado de uma boa opinião ou decisão. A palavra também é usada para se referir à glória de Deus, e pode ser interpretada como "o que pertence a Deus (Elohim).

O motivo pelo qual a mulher deve cobrir a cabeça é por ser ela a glória do homem (pois ela foi feita para o homem – cf. v. 9). A argumentação que se segue então é: se a glória de Deus (o homem) não deve apresentar-se perante Ele, na igreja, com a cabeça coberta, a glória do homem (a mulher) não deve apresentar-se diante dEle, na igreja, com a cabeça descoberta (cf. v. 10).

Já foi dito que na ordem da criação de Deus a mulher é subordinada ao homem. Pois bem, Deus está nos mostrando que assim como na criação há uma ordem, também na igreja esta ordem deve ser reconhecida e manifestada através da cobertura que a mulher usa na cabeça.

O uso de cobertura na cabeça indica submissão por parte da mulher à ordem estabelecida por Deus na criação. Portanto, o homem que foi criado primeiro e não está subordinado a nenhuma outra criatura, não deve trazer sinal de subordinação sobre a cabeça. Já a mulher, que foi feita do homem e por causa dele, deve trazer sobre sua cabeça um sinal de subordinação. Com isso ela está sinalizando que aceita de bom grado a ordem hierárquica estabelecida pelo Senhor Deus.

A Glória de Deus é o homem, a glória do homem é a mulher e a glória da mulher é seu cabelo. Entendemos com isso que assim como a glória do homem (a mulher) deve apresentar-se na igreja coberta, assim também, a gloria da mulher (o seu cabelo) deve, por sua vez, apresentar-se coberta.

Passemos agora ao terceiro, e talvez mais profundo, motivo exposto pela Bíblia para a mulher cobrir sua cabeça.

  

III.      HÁ UMA QUESTÃO “ESPIRITUAL” (v. 10)

Uma tradução literal do versículo 10 ficaria assim: “Por causa disto deve a mulher ter autoridade (Gg. exousia) sobre a cabeça, por causa dos anjos”. A frase por causa disto (portanto), nos remete ao que já foi argumentado pelo apóstolo de Cristo nos versículos anteriores. Nesse terceiro motivo para que as irmãs cubram a cabeça nos cultos, surge um novo fator que é a referência direta aos anjos.

Em uma tradução pessoal do texto grego do versículo 10 cheguei ao seguinte resultado: “Por esta razão e por causa dos anjos, a mulher deve ter sobre a cabeça um sinal de autoridade.”

Fica, então, evidente que a terceira causa pela qual a mulher deve cobrir a cabeça são os anjos. Os oponentes ao uso do véu, quase sempre levam o assunto para o campo da localidade, ou seja, isso valia somente para a igreja de Corinto. Também levam para o campo da cultura e costumes da antiguidade e outros posicionamentos menos conhecidos. Mas, a inserção dos anjos como um dos motivos para a cabeça coberta cria um sério problema para os oponentes ao uso do véu. É por isso que, normalmente eles agem como se o versículo 10 não fizesse parte do texto ou o minimizam.

Contudo, fica claro aqui que a questão não é de escolha, de época, de gosto ou de cultura, pois os anjos são supraculturais e atemporais. Sabendo disso o Espírito Santo deixou esse registro na Palavra de Deus para assim nos “amarrar” e toda argumentação sincera a respeito desse assunto não deve ignorar este aspecto.

O pressuposto que isto era um costume isolado da igreja em Corinto e a insistência de que isso era um costume ligado a cultura e costumes daquele povo cai por terra, pois, como já vimos, os anjos não se encaixam em nenhum só destes aspectos.

Surge uma pergunta óbvia: que anjos são estes? O que a Bíblia quer dizer com isto?

Mesmo reconhecendo que este é um versículo para o qual Paulo não desenvolve uma explicação, tentemos analisar a questão à luz de outras passagens da Bíblia (a Bíblia é interprete de si mesma). Vejamos então as opções que temos.

 

            A.  Anjos Caídos.

Para justificar esta menção a anjos como o motivo pelo qual as mulheres devem cobrir a cabeça, alguns já tentaram ligar este versículo a Gênesis 6:1ss., onde lemos que os filhos de Deus (que entendem ser anjos caídos) tomaram para si mulheres de entre as filhas dos homens. Juntam isso a Judas 6, onde lemos sobre alguns anjos que não guardaram o seu estado original (entendendo que isso significa que mantiveram relação sexual com mulheres), concluindo, então, que os anjos caídos sentem-se atraídos sexualmente pelas mulheres que estão no culto sem usar cobertura na cabeça. Segundo eles, o uso de cobertura seria uma proteção contra estes anjos caídos que supostamente desejam desencaminhar as mulheres cristãs.

            Esta interpretação é forçosa e não tem o apoio claro da Palavra de Deus. Além disso, porque tais anjos só se sentiriam tentados pelas irmãs na hora dos cultos? Porque não se sentem atraídos pelas outras mulheres descrentes que também não usam cobertura no dia a dia. Portanto, em minha opinião, esta conclusão é totalmente descabida. Ainda mais porque não há a mínima indicação bíblica de que qualquer coisa nas reuniões da Igreja de Cristo deva ser feita para os demônios ou por causa deles. Nossas reuniões não tem nada a ver com eles.

             B. Anjos Bons.

                 Creio firmemente que a Bíblia esteja afirmando a presença de anjos do Senhor conosco especialmente nos cultos da igreja. Entretanto, não fica claro qual seria o papel dos anjos no ajuntamento da igreja. Seriam eles meros expectadores? Estariam eles observando como a igreja preserva a ordem natural estabelecida por Deus na criação? Tentemos entender um pouco da função dos anjos.

            Em Apocalipse 8.3,4 Lemos: ”Veio outro anjo e ficou de pé junto ao altar, com um incensário de ouro, e foi- lhe dado muito incenso para oferecê-lo com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro que se acha diante do trono; e da mão do anjo subiu à presença de Deus a fumaça do incenso, com as orações dos santos.”

Já em Hebreus 1:14 vemos que também é função dos anjos servir aos salvos. Nesses textos ficamos conhecemos duas das funções dos anjos.

            Contudo, mais significante ainda é o que lemos em Efésios 3:10 onde lemos: “para que pela igreja a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida agora dos principados e potestades nos lugares celestiais.” Assim, ficamos sabendo que, de uma forma que não compreendemos ao todo, a Igreja é usada para manifestar aos anjos a sabedoria de Deus. Nesse sentido a igreja está ensinando aos anjos.

            Estou ciente que não devemos nos basear em letras de hinários para estabelecer doutrinas. Contudo, citarei uma estrofe do hino 501 do hinário Hinos e Cânticos para mostrar que o irmão Richard Holden (que teve grande influência no inicio do movimento dos Irmãos no Brasil), ao que a letra indica, também tinha este entendimento. Vejamos a letra do seu poema:

            Aba! Aqui nós te adoramos,

            Muito alegres em saber

            Que por nós, que em Cristo estamos,

            Vão teus anjos conhecer

            Teu saber maravilhoso,

            Tua graça, Teu amor,

            E com mais intenso gozo,

            Te adorar com novo ardor.

 

            Portanto, entendo que quando a igreja local se reúne seguindo os princípios estabelecidos por Deus, os anjos vêem que a ordem hierárquica estabelecida por Ele está sendo respeitada. Creio que isso é uma lição aos anjos do Senhor, mas talvez aos anjos caídos. Aos anjos caídos que quebraram esta hierarquia quando se rebelaram (suposição minha) e aos anjos bons que, ainda hoje, respeitam esta hierarquia. Neste sentido a igreja deve procurar ser uma “escola” para os anjos.

Talvez esta seja uma das áreas nas quais os anjos serão julgados pelos santos (cf. 1 Co 6:3). Isto é por demais profundo para ser tratado com descaso pela igreja de Cristo. No mínimo os líderes deveriam estudar profundamente este assunto antes de se posicionar contrários ao uso do véu e, também, antes de ficarem indiferentes a essa doutrina bíblica, pecando assim por omissão.

  

IV.      HÁ A PRÁTICA UNIVERSAL DA IGREJA (16)

            Esse é o quarto motivo dado pelo apóstolo em apoio ao uso do véu. Essa era a prática em todas as outras igrejas. O apóstolo Paulo encerra este assunto afirmando que se alguém quer ficar criando polêmica a respeito do uso do véu, este não era o seu costume e nem o das demais igrejas coirmãs em Cristo. Com isso, fica claramente estabelecido que o uso do véu era obedecido em todas as outras igrejas, sendo que a polêmica só existiu na complicada igreja em Corinto.

            Vemos, então, que o uso de cobertura na cabeça das irmãs não começou com essa carta a igreja em Corinto. As outras igrejas já praticavam isso. Esse versículo nos mostra que esse era o padrão da Igreja como um todo! Ademais, a ideia de que o apóstolo está adaptando um aspecto da cultura de Corinto aos cultos da igreja é muito improvável e o próprio texto bíblico derruba essa teoria. Paulo diz a eles que entregou (v2) a eles essas instruções. Ou seja, ele não pegou essa prática do costume da cidade, antes ele a trouxe junto com a pregação do evangelho. Assim, as instruções de Paulo não foram por causa de demandas de costumes culturais, mas pelos motivos que já vimos acima. Ademais na cultura greco-romana as mulheres não cobriam a cabeça nem nas ruas e nem nos seus cultos as divindades pagãs.

Portanto, as instruções do apóstolo são fundamentadas em razões teológicas e não em práticas locais, pois, como já vimos, Paulo entregou a eles a prática cristã da cabeça coberta nas reuniões da igreja que já era obedecida pelas outras igrejas.

  CONCLUSÃO 1.

Depois de praticamente esgotar sua argumentação a favor do uso de cobertura por parte das mulheres, Paulo lança uma pergunta de crucial importância: Julguem entre vocês mesmos: é apropriado a uma mulher orar a Deus com a cabeça descoberta? (v. 13). Na verdade ele está perguntado: “depois de tudo que lhes foi apresentado, vocês ainda entendem que uma mulher deve orar na igreja com a cabeça descoberta?” Essa é uma pergunta retórica que já traz embutida em si a resposta. Não há duvidas que a resposta que o apóstolo espera ouvir era um sonoro não! A Bíblia é clara: “Toda mulher, porém, que ora, ou profetiza, com a cabeça sem véu (descoberta), desonra a sua própria cabeça, porque é como se a tivesse rapada” (1 Co 11:5 - parêntese meu).

            Outra observação importante a fazer é quanto ao versículo 15. A Bíblia na Edição Revista e Corrigida, diz que o cabelo foi dado a mulher em lugar de véu. Isto tem levado muitos a entender que a mulher que tem o cabelo comprido está dispensada de cobrir a cabeça. Mas na verdade o texto em grego diz que o cabelo lhe foi dado em lugar de manto, mantilha. A palavra usada aqui é “peribolaiou” em contraste com “katalupto” que é usada nos versículos anteriores e que é traduzida no português como véu.

            Aliás, em todo o texto grego do capítulo 11, a palavra véu não aparece uma vez sequer. Katakalupto foi traduzida por véu porque normalmente o pano que cobre a cabeça das mulheres é conhecido por nós como véu. Esta tradução que está na ARC traz confusão na mente de algumas pessoas. Por isso é bom conhecer a língua original na qual o Novo Testamento foi escrito, a língua grega. O substantivo “peribolaiou” descreve um envoltório, um manto usado ao redor do corpo. Katakalupto transmite a ideia de algo que vem de cima, enquanto peribolaiou significa de algo que está em volta. Nesse ponto a ARA traduz melhor o termo, pois o traduz como mantilha e não como véu.

             Certa vez um irmão do nosso contexto, estudante do grego, me disse que peribolaios abrange também uma cobertura. Em resposta a essa afirmação o Dr. Carlos Osvaldo Cardoso Pinto, Reitor do Seminário Bíblico Palavra da Vida,  me escreveu:

           “De fato, peribolaios é uma palavra mais ampla, mas isso é uma razão a mais para não atribuir a ela, apressadamente, o sentido da palavra mais restrita (kálluma). Além disso, e para mim o centro da questão, há o significado da preposição grega antí. Este é geralmente presumido como "em lugar de", sentido correto, mas que torna a passagem sem lógica (como você observou). Acontece que antí pode também significar "correspondendo a", o que se encaixa com as palavras de Paulo. A natureza deu à mulher o cabelo mais comprido como que "pedindo o companhamento de" uma cobertura. Assim, há uma razão teológica, uma razão eclesiológica, e uma razão natural-lógica para o uso do véu nesta passagem.”

 

            CURIOSIDADE: 

            Se em 1ª aos Coríntios 11 cabelo é o mesmo que véu, deveríamos ler assim os seguintes versículos:

 11:5

"Toda mulher, porém, que ora ou profetiza com a cabeça sem véu desonra a sua própria cabeça, porque é como se a tivesse rapada". Caso estivesse falando de cabelo como cobertura esta frase ficaria assim: "Toda mulher, porém, que ora ou profetiza com a cabeça sem cabelo desonra a sua própria cabeça, porque é como se a tivesse rapada". Se já está sem o cabelo já não estaria rapada?

 11:6

"Portanto, se a mulher não usa véu, nesse caso, que rape o cabelo. Mas, se lhe é vergonhoso o tosquiar-se ou rapar-se, cumpre-lhe usar véu" (11:6). Como ficaria: "Portanto, se a mulher não usa cabelo, nesse caso rape o cabelo. Mas, se lhe é vergonhoso o tosquiar-se ou rapar-se, cumpre-lhe usar o cabelo".

 11:7

"Porque, na verdade, o homem não deve cobrir a cabeça, por ser ele imagem e glória de Deus, mas a mulher é glória do homem". Vamos ver como ficaria se em lugar de cobertura (véu) Paulo estivesse falando de cabelo: "Porque, na verdade, o homem não deve ter cabelo na cabeça, por ser ele imagem e glória de Deus, mas a mulher é glória do homem". Dar-se-ia o caso de somente os carecas estarem de acordo com as normas paulinas?

 11:15

"E que, tratando-se da mulher, é para ela uma glória? Pois o cabelo lhe foi dado em lugar de mantilha" (11:15). Caso cabelo e véu fosse a mesma coisa a frase ficaria assim: "E que, tratando-se da mulher, é para ela uma glória? Pois cabelo lhe foi dado em lugar de cabelo."

 Ou: "E que, tratando-se da mulher, é para ela uma glória? Pois véu lhe foi dado em lugar de mantilha (véu).".

 

Portanto, volto a reafirmar que cabelo é cabelo e véu (cobertura) é outra coisa totalmente diferente. O véu as irmãs podem colocar nas reuniões da igreja; o cabelo está com elas o tempo todo. Assim como também está com os homens o tempo todo. Exceto os carecas, condição a qual cada dia mais eu me encaminho.

             Iniciamos este estudo com o questionamento sobre a validade ou não do uso de cobertura por parte das mulheres na igreja nos nossos dias. Espero que tenhamos chegado à conclusão que, desde que seja feito com entendimento, permanece para as irmãs a validade do uso de cobertura nos cultos da igreja de todos os tempos.

            Contudo, devemos evitar os exageros de querer obrigar as irmãs a usarem o véu (uso a palavra véu por ser a que melhor expressa o uso de cobertura na nossa língua) deste ou daquele tamanho, deste ou daquele tecido, deste ou daquele formato, desta ou daquela cor e por aí vai...

A Bíblia não especifica nada destas coisas e quando o fazemos estamos pondo na boca do Senhor Deus aquilo que Ele nunca disse. Fazer isto traz prejuízo e é pecado. O próprio apóstolo Paulo (que foi diretamente inspirado por Deus ao escrever esta carta), após mostrar o que ele cria ser da vontade de Deus que as irmãs cobrissem a cabeça não estabelece cor, tamanho etc.

Paulo não era um ditador. Creio que o seu raciocínio era o de que só se deve prestar a Deus um culto de coração voluntário, um culto racional e não por imposição de homens. Ele usou toda a argumentação bíblica, mas deixou ao Espírito Santo o papel de convencer a igreja em Corinto destas verdades.

            Quanto à idade ou quando uma irmã deve começar a usar o véu a Bíblia não especifica. Apesar de a nossa tradição rezar que só depois de batizada uma irmã está autorizada a usar o véu, entendo que a partir do momento no qual ela recebe a Cristo como seu Salvador pessoal ela pode e deve usar o véu. Quanto a isso a Palavra de Deus não faz nenhuma restrição.

            Também creio não ter nenhum valor espiritual uma mulher usar o véu sem entendimento nenhum do seu significado ou usar somente por tradição. Não adianta, por exemplo, usar o símbolo da submissão, da hierarquia estabelecida por Deus, se em casa não se é submissa ao marido. Isto se parece mais com uma tradição supersticiosa do que com um culto racional, inteligente, com entendimento (cf. Rm 12.1).

            Por último é bom lembrar que, longe de desmerecer a mulher, o véu lhe confere um lugar de dignidade na assembléia onde se adora ao Deus Eterno. Lugar este que, ainda hoje, é negado à mulher judia e a mulher islâmica no seu culto. Este símbolo lhe assegura um elevado lugar na igreja, ainda que deixe claro que não é o lugar do homem.

            Encerro essa parte do estudo, mostrando que a epistola foi dirigida sim a igreja em Corinto, mas que ela tem uma abrangência universal para a igreja de todos os tempos. A universalidade desta carta aos coríntios fica claro logo no seu segundo versículo quando Paulo escreve:

“à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para serem santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome do Senhor Jesus, Senhor deles e nosso” (1 Co 1.2).

 
 

O USO DO VÉU ATRAVÉS DA HISTÓRIA DA IGREJA

 Tendo visto qual era a prática da Igreja Primitiva quanto ao uso do véu, vejamos o que desde a antiguidade os reconhecidos mestres de ensino bíblico pensavam sobre essa doutrina?

   

DO CRISTIANISMO PRIMITIVO ATÉ A REFORMA

   Clemente de Alexandria (c. 150 – c. 215 A.D.): “Mulher e homem devem ir à igreja vestidos decentemente... porque este é o desejo da Palavra, uma vez que é decente que ela ore coberta.”171 “Por causa dos anjos... que ela se cubra.”[1]


   Tertuliano (Cartago; c. 160 – c. 220 A.D.): “O homem cristão... não está sob nenhuma obrigação de usar uma cobertura” e a cabeça da mulher “deve trazer o véu”. [2]

 

Hipólito (teólogo romano; 170-236 A.D.): “Que todas as mulheres tenham as suas cabeças cobertas.”[3]

Ambrosiastro (um dos primeiros comentaristas bíblicos, c. 366-384 A.D): Ao se referir à submissão feminina, ele afirma que “uma mulher, portanto, deve cobrir sua cabeça... na igreja...”[4]

 

   João Crisóstomo (Líder em Constantinopla, conhecido como “João Boca de Ouro”; c. 349-407): Para o homem: “Não vos... cobrireis... ao orar diante de Deus, para que não insulteis tanto a vós quanto Àquele que vos honrou.” Igualmente, a mulher deveria acrescentar uma cobertura de vestuário ao seu cabelo comprido para que “não apenas a natureza, mas também a sua própria vontade tome parte em seu reconhecimento de sujeição.”[5]

  

Severiano de Gabala (pregador em Constantinopla; m. 408 A.D.): Após afirmar sua crença de que os anjos (v. 10) devem estar presentes “quando o Espírito está operando”, ele escreve que “por esta razão as mulheres devem estar cobertas.”[6]

 

   Agostinho (teólogo e escritor na África romana; 354 – 430 A.D.): “Não é adequado, mesmo às mulheres casadas, que descubram suas cabeças, já que o apóstolo orienta as mulheres a manterem suas cabeças cobertas.”[7]


   Tomás de Aquino (filósofo e teólogo; 1225 – 1274 A.D.): “É relativo à dignidade de um homem[8]... não usar uma cobertura em sua cabeça... para mostrar que ele está imediatamente sujeito a Deus; mas a mulher deve usar uma cobertura para mostrar que, além de Deus, ela é naturalmente sujeita a outro.”[9]

 

 

DA REFORMA AOS ÚLTIMOS 100 ANOS


   Martinho Lutero (teólogo alemão e “pai” da Reforma Protestante; 1483-1546): Em referência ao v. 10, Lutero afirma que “as mulheres devem... cobrir-se com um véu por causa dos anjos.”[10]

  

   Hugh Latimer (capelão do Rei Inglês Eduardo VI e mártir sob Maria I; c. 1487-1555): “Paulo disse que ‘uma mulher deve ter um poder na sua cabeça.’ O que é isto, ter um poder na sua cabeça? É uma figura de linguagem na Escritura... ter um sinal e símbolo de poder, que o é por cobrir sua cabeça... Ele, então, expressa preocupação com o fato de que as mulheres cristãs dos seus dias estavam usando a cobertura sobre a cabeça como um item de moda ao invés de um símbolo significativo descrito pela Escritura.[11]

 

  

A Confissão de Augsburgo (afirmação doutrinal das igrejas Luteranas; 1530): “Paulo ordena, em 1 Co 11:5, que as mulheres devem cobrir suas cabeças na congregação... É devido que as igrejas observem tais ordenanças em nome do amor e da tranquilidade.”[12]

 

    John Cotton (clérigo e colonizador inglês; 1584 – 1652): “Todos os membros da igreja... devem se reunir... os homens com suas cabeças descobertas, as mulheres, cobertas.”[13]

 

  William Quelch (pastor britânico; c. 1590 – 1654): “Os próprios apóstolos de Cristo... ordenaram esta regra para todas as igrejas... as mulheres devem velar ou cobrir suas cabeças, sempre que elas aparecerem na congregação.” [14]

 

    John Bunyan (escritor e pastor na Inglaterra; 1628 – 1688): “‘Por esta causa deve a mulher ter poder’, isto é, uma cobertura, ‘na sua cabeça, por causa dos anjos’... Parece-me que, santas e amadas irmãs, vocês devem ficar contentes de usarem este poder ou distinção.”[15]

 

    John Edwards (pastor e autor teológico, 1637-1716): “A vontade de Paulo é que os homens coríntios, que eram convertidos e santos, deviam estar com a cabeça descoberta em suas assembleias religiosas. E de Paulo os cristãos em geral receberam e praticaram este uso... As igrejas cristãs hoje se conformam a este uso... Aquilo que o Apostolo entrega neste capítulo a respeito do comportamento das mulheres nas igrejas não era apenas para as mulheres daquele tempo, mas é obrigatório até o dia de hoje. Todas as mulheres cristãs estão comprometidas, em virtude do que o Apóstolo diz aqui, de sempre estarem com suas cabeças cobertas no tempo de oração e outros exercícios religiosos... Mas, alguém dirá, ‘O argumento do Apóstolo não terá valor agora, se cobrir a cabeça não é um sinal de sujeição [na nossa cultura]’... E respondo, as mulheres cristãs devem... observar a injunção do Apóstolo [por razões além da questão da submissão, porque]... há outras razões, que sempre terão valor... [No que concerne à menção de Paulo aos ‘anjos’ no v. 10,] esta razão é perpétua.”[16]

  

 

    Charles Spurgeon (pregador batista britânico; 1834 – 1892): “A razão pela qual nossas irmãs aparecem na Casa de Deus com suas cabeças cobertas é ‘por causa dos anjos’. O apóstolo diz que uma mulher deve ter uma cobertura na cabeça por causa dos anjos.”[17]

 

Presbiterianos de Londres (1844): Um grupo de pastores associado à Assembleia de Westminster afirmou que a autoridade de Deus deve ser a base do governo da Igreja universalmente,[18] e que a “luz da natureza” é uma expressão de Sua autoridade. Como um exemplo disto, eles escreveram que “No caso dos hábitos de homens e mulheres nas assembleias públicas de suas igrejas, que as cabeças das mulheres devem estar cobertas, e as dos homens, descobertas, durante a oração...”[19]

 

 

    Thomas Teignmouth Shore (capelão real britânico; 1841 – 1911) anotou que o uso da cabeça coberta continuou em “eras sucessivas” após o tempo de Paulo. Ele escreveu que “até o dia de hoje o costume universal [continua], nos lugares cristãos de culto, de mulheres estando cobertas e homens, descobertos.”[20]

  

     Alice Morse Earle (historiadora e autora americana; 1851 – 1911): Em seu livro de 1903, intitulado Two Centuries of Costume in America [Dois Séculos de Costume na América], ela afirma: “Uma coisa singular deve ser notada nesta história – que com todos os caprichos da moda, a mulher nunca violou a lei Bíblica que a ordena cobrir sua cabeça. Ela nunca foi aos cultos da igreja com a cabeça desnuda.”[21]

  

 

UMA TRANSIÇÃO NO ÚLTIMO SÉCULO

No começo do século XX, a cultura ocidental dominante começou a se opor à ideia de que as mulheres deveriam usar a cabeça coberta na igreja. Contudo, mudanças generalizadas na prática da Igreja não se seguiram imediatamente. Em 1920, um médico e escritor britânico anotou: “Mesmo nos dias de hoje a injunção de São Paulo é ainda observada pela cristandade.” Na década de 30, um pastor canadense foi destaque em um grande jornal metropolitano simplesmente porque ele começou a permitir que as mulheres fossem à igreja sem nada nas suas cabeças. Ao mesmo tempo, o pastor admitiu que esta não era a prática histórica da Igreja – que, desde que Paulo escreveu aos coríntios, o cristianismo tomou estas instruções sobre o uso da cabeça coberta como aplicáveis às “mulheres cristãs de todas as terras e através de todas as eras.”247 Similarmente, em 1964 um proeminente teólogo britânico anotou que esta prática “persistiu até o tempo presente.

 

    R. C. Sproul (teólogo e pastor,  1939 - 2017): “Durante os meus anos de high school [ensino médio], quando eu ia à igreja no domingo de manhã, eu nunca via uma mulher naquela igreja (era uma igreja presbiteriana tradicional) cuja cabeça não estivesse coberta com um chapéu ou véu). Este é um daqueles costumes que simplesmente desapareceu da maior parte da cultura cristã.[22]

    “Nós estamos persuadidos de que o mandado bíblico ainda está em vigor... Se há alguma indicação de uma ordenança perpétua na Igreja, trata-se daquela que é baseada em um apelo à Criação... E acho que não importa nem um pouco se é um lenço, um véu..., mas eu penso que o símbolo deve permanecer intacto, como um sinal de nossa obediência a Deus.”[23]

 

    R. C. Sproul Jr. (teólogo e autor n. 1965): “A igreja rejeitou esta prática nos últimos trinta ou quarenta anos, não por causa de uma nova revelação interpretativa, mas por causa da pressão do mundo.” De maneira geral “até 50 anos atrás, todas as mulheres – em todas as igrejas – cobriam suas cabeças... O que aconteceu nos últimos 50 anos? Nós tivemos um movimento feminista.”[24]

    “Eu acredito em cabeças cobertas na igreja.” “Ele [Deus] nos diz que nossas esposas devem estar com as cabeças cobertas... Nossa família tem seguido esta prática.” “Alegra-me, também, ousadamente sugerir que virtualmente todos os cristãos, desde o tempo da epístola de Paulo até cerca de meio século atrás, concordam comigo neste assunto.”[25] Hoje, algumas “pessoas aceitam que maridos têm autoridade sobre suas mulheres mas não podem suportar ter uma mulher reconhecendo publicamente esta autoridade da maneira que Paulo descreve, isto é, cobrindo sua cabeça como um símbolo de submissão... Eu temo que muitos de nós que não honramos a Deus com nossas cabeças estejamos honrado a Deus com nossos lábios, mas não com nossos corações.”[26]

 

   J. Robertson McQulkin (reitor universitário n. 1927 – 03/06/2016): “Historicamente, os evangélicos creram que Deus comunicou a verdade entre os homens de tal maneira que ela pudesse ser compreendida e servir como um guia divino para o pensamento e a vida... [mas talvez por causa da influência do pós-modernismo [agora nós temos uma] casa evangélica dividida... Alguns entre nós nos tornamos relativistas moderados, concedendo mais e mais terreno para o reino da incerteza... [por exemplo] nós desistimos do... uso da cabeça coberta... Agora nós somos desafiados por companheiros evangélicos para desistir de Adão e Eva, de papéis distintos no casamento, de limitações ao divórcio, de uniões exclusivamente heterossexuais, do inferno, da fé em Jesus como o único caminho para aceitação de Deus e – o que é mais essencial – de uma Bíblica inerrante.”[27]

  

 

    John Murray (teólogo escocês, professor de Princeton, fundador de seminário; 1898 – 1975): “Como Paulo apela para a ordem da criação, é totalmente indefensável supor que o mandamento e o seu motivo tenham apenas relevância local ou temporal. A ordem da criação é universal e perpetuamente aplicável, como também são as implicações das condutas dela decorrentes.”[28]

 

 

    William MacDonald (reitor do Emmaus Bible College e autor; 1917 – 2007): “Paulo ensina a subordinação da mulher ao homem indo de volta à criação. Isto deveria deixar de lado, para sempre, qualquer ideia de que este ensino sobre a cobertura da mulher era algo adequado culturalmente àqueles dias, mas que não é aplicável a nós hoje.”[29]

 

 

    Charles C. Ryrie (autor, professor e reitor de seminário; n. 1925): “As mulheres devem usar véus ou coberturas no encontro da igreja, e os homens, não. As razões de Paulo são baseadas na teologia (autoridade, v. 3), na ordem da criação (vv. 7 -9), e na presença de anjos na reunião (v. 10). Nenhuma destas razões estava baseada em costumes sociais contemporâneos.”[30] O comando de Paulo “não estava conectado com alguma peculiaridade local de Corinto.”[31]

 

   CONCLUSÃO 2

 Queridos irmãos e queridas irmãs, espero que tenham percebido que em 1.800 anos nas igrejas de diversas denominações as irmãs usavam cobertura na cabeça. Vemos que a maioria delas abandonaram a doutrina do uso do véu e nós a mantivemos.

Aqui há líderes de igreja, há maridos, a esposas e filhas. A decisão de obedecer ou não é de cada um e cada um responderá ao Senhor pela sua decisão.

         Encerro citando um versículo que está em 1ª Coríntios onde Paulo faz um sério alerta sobre o que ele estava ensinando a eles:

        "Se alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça ser mandamento do Senhor o que vos escrevo" (1 Co 14:37).

  

Jabesmar A. Guimarães

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[1] Clemente, Hypotyposes (Livro 3). Citado por Ecumênio (comentarista do Século X).

[2] Tertuliano, De Corona, Capítulo 14.

[3] The Apostolic Tradition of Hippolytus of Rome (18:4).

[4] Ambrosiastro (ed. Gerald Bray), Commentaries on Romans and 1-2 Corinthians (InterVarsity Press, 2009), p. 172.

[5] João Crisóstomo, Homily 26 (1st Corinthians 11:2-16). Philip Schaff, A Select Library of the Nicene and Post-Nicene Fathers of the Christian Church (New York: Charles Scribner's Sons, 1889), pp. 153-154.

[6] “Fragmenta in epistulam i ad Corithios,” ed. K. Staab, Pauluskommentar aus der griechischen Kirche aus Katenenhanschriften gesammelt (Aschendorff: Münster, 1933), 262. Traduzido em: A. Philip Brown II, A Survey of the History of the Interpretation of 1 Corinthians 11:2-16 (Aldersgate Forum, 2011), p. 7.

[7] Santo Agostinho, Epistula CCXLV.

[8] Aquino explica “dignidade” como o relacionamento do homem debaixo de Deus e o homem sendo a “glória de Deus” (v. 7).

[9] Thomas de Aquino (Fabian Larcher, trad.), Commentary On the First Epistle to the Corinthians. Aquino apresenta sua própria explicação de por que bispos, freiras e cantores de seus dias não estavam contrariando a instrução de 1 Coríntios 11 quando usavam (ou não) uma cobertura em suas cabeças.

[10] John H Treadwell, Martin Luther (London: Marcus Ward & Co, 1881), p. 217.

[11] The Sermons of Hugh Latimer, Volume 1 (London: J. Scott, 1758), p. 280-281.

[12] Confissão de Augsburgo, Artigo 28:54-55.

[13] John Cotton, The True Constitution of a Particular Visible Church (Samuel Satterthwaite, 1642). 

[14] William Quelch, Church-Customs Vindicated (London: M.F., 1636), p. 16-20.

[15] John Bunyan, Henry Stebbing, “A Case of Conscience Resolved (Women's Prayer Meetings)” in The Entire Works of John Bunyan, Vol 4 (London: City Road and Ivy Lane, 1860), p. 418.

[16] John Edwards, An Enquiry Into Four Remarkable Texts of the New Testament (J. Hayes, 1692), pp. 125 & 130-135.

[17] Charles Haddon Spurgeon, Spurgeon's Sermons on Angels, (Kregel Academic, 1996), p. 98.

[18] O documento indica que ele está se referindo: “não a igrejas, mas à igreja, no número singular, ou seja, de uma... [não apenas] a igreja de Corinto, ou qualquer uma igreja particular, mas apenas daquela única Igreja geral sobre a terra.”

[19] Thomas Henderson, ed, The Divine Right of Church Government (New York: R. Martin & Co, 1844), cp. 3.

[20] C.J. Ellicott, ed, A New Testament Commentary for English Readers, Volume 2 (Cassell & Company, 1884), p. 330.

[21] Alice Morse Earle, Two Centuries of Costume in America (1620-1820), Vol 2 (The Macmillan Company, 1903), p. 582.

[22] R.C. Sproul, Now, That's a Good Question! (Tyndale House Publishers, 2011), p. 347.

[23] R. C. Sproul, Now, That's a Good Question!, pp. 347-348. Sproul ainda afirma sua crença de que o uso da cabeça coberta é um comando universal em: Knowing Scripture (Downers Grove, IL: Intervarsity Press, 1977), p. 110; “Table Talk Magazine” (Coram Deo), 17-21 de junho de 1996.

[24] R.C. Sproul, Jr., Should Christians Only Sing Psalms in Local Churches? (Christianity.com).

[25] 321 blog de R.C. Sproul Jr.: 13 de gosto de 2013, 28 de agosto de 2012, 18 de abril de 2012.

[26] Gary Sanseri, Covered Or Uncovered (Milwaukie, OR: Back Home Industries, 1999), x.

[27] Robertson McQuilkin and Bradford Mullen, “The Impact of Postmodern Thinking on Evangelical Hermeneutics” in the Journal of the Evangelical Theological Society (Vol. 40/1, março de 1997), p. 69–82.

[28] John Murray, “A Letter To The Evangelical Presbyterian Church” in Presbyterian Reformed Magazine (inverno de 1992).

[29] William MacDonald, Believer's Bible Commentary (Nashville, TN: Thomas Nelson Publishers, 1995), p. 1786.

[30] The Ryrie Study Bible Expanded Edition (Chicago: Moody Press, 1995), p. 1832.

[31] Charles Ryrie, The Role of Women in the Church, First Edition (Moody Publishers), p. 74; Charles Ryrie, The Pauline Doctrine of the Church (Bibliotheca Sacra 115:457, janeiro de 1958).


[1] Prostitutas cultuais eram as mulheres usadas pelos homens para prestar culto pagão ao seu deus através de ato sexual. Este costume era bem antigo, pois já é mencionado em Jó (Jó 36:14, ver também I Rs 14:24; 15:12; 22:47). É bem provável que Gomer, a mulher do profeta Oséias, fosse uma prostituta cultual.

 

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