A IMPORTÂNCIA DA LIDERANÇA NA IGREJA LOCAL

Jabesmar Aguiar Guimarães

 

Em um outro artigo discorri sobre a questão da liderança da igreja e o clericalismo[1] onde expus que, ao contrário do que se pratica na quase totalidade da cristandade, no N.T. somos ensinados que a liderança da igreja é constituída de presbíteros. Assim em lugar de um só líder, que normalmente é chamado de o pastor da igreja, o Novo Testamento aponta uma pluralidade de líderes os quais em quatorze vezes são chamados de presbíteros e quatro vezes de bispos (At 20:28; Fp 1:1; 1 Tm 3:2; Tt 1:7). Às vezes em uma mesma passagem são chamados de ambos (Cf. 20:17,28). Note que, apesar de terem a função de pastorear a igreja, nem ao menos uma única vez lhes é dado o título de pastor.

Pois bem, alguns irmãos parecem ter entendido que sou contra o reconhecimento de presbíteros nas igrejas locais. Não somente sou favorável como também creio que a Bíblia dá muita importância ao assunto. Também não sou contra os presbíteros serem conhecidos como tais pelos de dentro e pelos de fora. Aliás, fica muito mal quando alguém de fora chega a determinadas igrejas locais e pergunta quem são os líderes e os presbíteros ficam olhando um para o outro e não se identificam de imediato. Quando finalmente se identificam o fazem quase como que se desculpando. Se um irmão é um dos presbíteros é lhe é perguntado sobre isso, identifique-se prontamente. Não há nada de errado nisto! O que reprovei foi a crescente tendência de dar destaque especial e criar classes nas igrejas locais.

Ao bem da verdade é necessário dizer que o modelo bíblico para as igrejas locais inclui o fato de cada uma delas ter uma liderança reconhecida. Ou seja, uma igreja bíblica deve ter presbíteros! A menos, é claro, que por um tempo isto não seja possível. Pode acontecer de uma igreja perder a liderança de uma hora para outra e não ser possível por algum tempo reconhecer presbíteros. Mas ficar anos a fio sem um presbitério reconhecido além de não ser bíblico não faz bem a igreja. Achei necessário fazer este esclarecimento antes de entrar no tema que é o assunto deste artigo.

Parece que o apóstolo Paulo percebeu, bem cedo no seu ministério, como é imprescindível o reconhecimento e estabelecimento de presbíteros nas igrejas locais. Na sua primeira viagem missionária ele, juntamente com Barnabé,  fundou as igrejas de Antioquia, Icônio, Listra e Derbe (na Ásia Menor). Quando ele fez o caminho de volta com o intuito de fortalecer os crentes e exortá-los a permanecer firmes na fé (cf. At 14:22) lemos o seguinte: “E, promovendo-lhes, em cada igreja, a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido” (At 14:23). Certamente Paulo e Barnabé sabiam que era importante que cada igreja tivesse uma liderança reconhecida, pois uma igreja sem liderança fica sem rumo. Ao mesmo tempo em que a responsabilidade é de todos não fica sendo de ninguém. Uns acham que fulano é da liderança, ao passo que outros acham que é sicrano. Uma igreja sem liderança fica à mercê de aproveitadores.

Paulo expõe sua preocupação quanto a infiltração de aproveitadores na igreja, bem como o levantamento dos lobos em pele de ovelha que estão dentro da igreja. No retorno de sua terceira viagem missionária Paulo chama os presbíteros da igreja em Éfeso para lhes dar algumas instruções. Vejamos: “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue. Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles” (At 20:28-30 – grifo meu).

Percebam duas expressões que destacam a preocupação do apóstolo bem como nos mostra a importância de uma liderança na igreja. São elas: entre vós penetrarão e dentre vós levantarão. Paulo coloca sobre a liderança a responsabilidade de vigiar os que viriam de fora, bem como vigiar os de dentro que se levantariam para dividir a igreja.

As palavras presbítero e bispo significam basicamente a mesma coisa. Em Atos 20:17, 28 vemos Paulo se dirigindo aos presbíteros onde também os chama de bispos. Aqueles homens tinham a incumbência de pastorear a igreja. Eram eles que deveriam proteger a igreja dos “lobos” (falsos mestres) que nela penetram com o intuito de arrebanhar adeptos a si mesmo através dos seus ensinos errados. Também deveriam estar atentos com os de dentro, pois mesmo entre eles podem se levantar pessoas assim. Os presbíteros devem ser os primeiros a enfrentar o perigo! Como bons conhecedores da Palavra desmontarão toda argumentação contrária aos princípios bíblicos.

Pode ser que o herege esteja assentado ao nosso lado nas reuniões da igreja. Uma liderança atenta logo detectará o perigo e não permitirá que os tais conquistem corações menos atentos ou de novos convertidos para seu erro. Vejamos, a seguir, alguns aspectos acerca do presbítero.

 

 

A Função dos Presbíteros

Em IPe 5:2,3 lemos: “Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada: pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho” (grifos meus)

Fica claro que os presbíteros devem ser exemplo, modelos para o rebanho de Deus. O comportamento deles deve refletir as marcas de uma vida pautada na Palavra de Deus. Os presbíteros não devem ser dominadores, mas devem conduzir a igreja através do exemplo de vida. Assim os demais serão levados a imitar o comportamento deles e eles, pelo seu testemunho, ganharão o respeito de todos os irmãos espirituais.

Apesar de destacar que não deve haver nenhuma distinção de classes dentro da igreja, pois a cabeça da igreja é Jesus Cristo e todos os demais fazem parte do corpo, creio que devemos obediência e respeito para com aqueles a quem Deus colocou como nossos guias, pois são responsáveis perante o Senhor pelo bem estar da igreja. Aos presbíteros cabe a função de pastorear do rebanho local. Eles devem zelar para que o rebanho receba um bom alimento espiritual. Devem empenhar-se pessoalmente no ensino da igreja, a responsabilidade é deles. Isto não significa que só eles pregarão, mas que estarão atentos ao que está sendo pregado na igreja local.

Resumindo, a função dos presbíteros é exercer a liderança da igreja, esforçando-se para pastoreá-la de forma que o rebanho cresça tanto qualitativamente como numericamente. Eles não devem ser mandões e “donos da verdade”, não devem liderar pela força como opressores, mas devem ter um tipo de vida que dignifique a Deus e sirva de modelo para os outros irmãos, de forma que estes se sintam atraídos a imitá-los.

 

A indicação e reconhecimento de presbíteros

Ao escolhermos presbíteros se deve observar as qualificações bíblicas descritas em 1 Timóteo 3:2-7 e Tito 1:6-9. Deve ser por elas que os candidatos devem ser analisados. Não devem ser avaliados por padrões terrenos tais como: realizações terrenas, fama, sucesso, competência nos negócios, posição social, capacidade intelectual, idade, parentesco, amizade, simpatia, apenas por ser idoso ou pelo grau de instrução (embora eu entenda que uma pessoa que não saiba ler não tem como estudar não podendo, portanto, ser apto para ensinar). O Ensino do N.T. mostra que os presbíteros têm que ser avaliados pelo exemplo em seu viver diário. Isto não é uma opção e sim uma exigência.

Parece haver, no N.T., algumas ocasiões nas quais os que serviriam a igreja foram escolhidos por toda a congregação. Apesar dos apóstolos estarem presentes na igreja em Jerusalém, não foram eles que escolheram os sete primeiros diáconos. Pelo contrário eles disseram a igreja: “irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço”. O mesmo se deu na escolha do substituto de Judas, não foram os onze que o escolheram. Lemos em Atos 1:15: “Naqueles dias, levantou-se Pedro no meio dos irmãos (ora, compunha-se a assembléia de umas cento e vinte pessoas)”. Quando precisaram enviar pessoas para transmitir a decisão dos apóstolos aos crentes da Galácia eles o fizeram em comum acordo com a igreja. Tanto a escolha quanto o envio foram feitos pelos apóstolos e presbíteros juntamente com a igreja. Vejamos: “Então, pareceu bem aos apóstolos e aos presbíteros, com toda a igreja, tendo elegido homens dentre eles, enviá-los...”

Como mencionei, no retorno da sua primeira viagem missionária, Paulo e Barnabé, atentaram para a necessidade de estabelecer presbíteros nas novas igrejas. Em Atos 14:23 lemos: “E, promovendo-lhes, em cada igreja, a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido.” A Bíblia nos dá a entender que a escolha dos líderes se deu através de eleição. A palavra grega usada aqui é reirotonésantes (de reirotonéo) que aparece somente aqui e em 2 Coríntios 8:19 referindo-se ao irmão que foi eleito pelas igrejas para ser companheiro de Paulo na administração das ofertas recolhidas em favor dos crentes em Jerusalém. A palavra grega para mão é ceivr, ceirovv, (reír – reirós) e os léxicos da língua grega indicam que ceirotonevw (reirotonéo) significa eleger através do erguer as mãos (podendo ainda significar apontar, indicar).

Apesar de necessário, não devemos ter pressa demasiada para reconhecer presbíteros. Em minha opinião é melhor não ter presbíteros, por um tempo, do que coloca para exercer a função pessoas desqualificadas biblicamente. O prejuízo é liquido e certo!

A Bíblia diz que: quem “aspira ao episcopado, excelente obra almeja” (I Tm 3:1). É bom atentar que ela não diz: excelente cargo almeja, ou ainda excelente posição almeja. Se alguém na igreja estiver cobiçando cargo, posição ou poder, certamente esta pessoa ficará tomada de ciúmes, ficará aborrecida e chateada se porventura não for indicada pela igreja. Se isso acontecer é bom dar graças ao Senhor por não ter permitido que tal pessoa fosse reconhecida, pois não estava com a visão bíblica do que é ser presbítero. Seria um péssimo modelo para o rebanho e, mais cedo ou mais tarde, traria prejuízo para a igreja.

Portanto, entendo que a indicação e o reconhecimento devem ser feitos pela igreja sob a orientação do Espírito Santo.

 

A autoridade dos presbíteros

É preciso ressaltar que qualquer atitude ou movimento que vise desestabilizar a liderança, trombará de frente com Deus. A Bíblia nos ensina a sermos submissos para com aqueles que são líderes na igreja local onde somos membros. Em Hebreus 13:17 lemos: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.” Levantar-se gratuitamente contra a liderança é pecado; tentar minar sua autoridade é pecado; rebeldia preconcebida contra a liderança é pecado. Não devemos nos tornar um peso para aqueles que nos pastoreiam. Cabe a nós tornar fácil a tarefa deles; eles, por sua vez, devem estar cientes que prestarão contas diretamente a Deus pela forma com a qual desempenharam esta função.

É bom lembrar aos presbíteros que autoridade não é igual a autoritarismo. Paulo foi investido no apostolado por ninguém menos que o Senhor Jesus. Contudo, quando teve que tratar com o pecador da igreja de Corinto, ele não decretou a sua exclusão sozinho. Apesar de ter autoridade para determinar a exclusão, lemos que ele o fez juntamente com a igreja. Vejamos “Eu, na verdade, ainda que ausente em pessoa, mas presente em espírito, já sentenciei, como se estivesse presente, que o autor de tal infâmia seja, em nome do Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Jesus, nosso Senhor, entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus” (I Co 5:3-5). Paulo exercia autoridade sem ser autoritário.

Outro alerta aos presbíteros pode ser inferido de Tiago 3:1 que diz: “Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo.” Os líderes serão avaliados com mais rigor. Ou como diz a versão Revista e Corrigida, receberão “mais duro juízo”. Portanto, é necessário que os presbíteros procurem esmerar-se para pastorear a igreja da forma bíblica. Sendo aqueles que pastoreiam mais pelo exemplo do que pela imposição.

Por último, devemos atentar para o fato de que há no N.T. lugar para presbítero em tempo exclusivo. Estes são aqueles que dedicam seu tempo em estudar as Escrituras para prover ensino sadio ao rebanho e  alimento espiritual de qualidade. Lemos sobre eles em I Timóteo 5:17,18: “Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino. Pois a Escritura declara: Não amordaces o boi, quando pisa o trigo. E ainda: O trabalhador é digno do seu salário.”

Aliás, na realidade das grandes cidades é praticamente impossível àqueles irmãos que trabalham o dia inteiro conseguir tempo para exercer o pastoreio de forma satisfatória. Sabemos que alguns se esforçam para, depois de um dia cheio e cansativo, fazer visitas e devemos ser gratos a Deus por homens com tal disposição. Mas também sabemos que dificilmente eles conseguirão dedicar o tempo necessário para se esmerar no estudo da Palavra, para visitar, para cuidar dos enfermos, para buscar os fracos e desviados etc. Havendo um presbítero com mais disponibilidade de tempo esta necessidade seria suprida.

É por isso que nós devemos orar e procurar não ser um peso para os presbíteros. Se a carga se tornar pesada eles perderão a alegria gemerão sob seu peso (c.f. Hb 13:17). Enquanto eles velam por nossas almas, devemos velar por eles em oração e procurar, na medida do possível, oferecer nosso ombro para ajudá-los naquilo que porventura venham a precisar de nós.

Notemos também que não há um único precedente bíblico para um presbítero presidir os outros presbíteros. Cada presbítero deve ser submisso primeiramente ao Senhor e depois aos outros presbíteros. Se cada um agir assim haverá igualdade e nenhum quererá dominar sobre os outros. É isso que vemos na Palavra de Deus.

 

A disciplina de um presbítero

Apesar de criticarmos as igrejas que têm pastor, por supostamente ser ele o “manda chuva”, em algumas igrejas os presbíteros são uma espécie de classe de intocáveis, de inquestionáveis. Contudo a Bíblia nos mostra que os presbíteros estão sujeitos ao julgamento da igreja. Se um presbítero estiver em pecado, pode sim ser denunciado para que a igreja trate com ele. Há, porém, uma séria advertência bíblica quanto a denúncia contra um presbítero. Ela tem que ser bem fundamentada. Às vezes o presbítero terá que tomar decisões ou assumir posições que desagradarão a alguns podendo, com isto, tornar-se o alvo de pessoas mal intencionadas. Por isso a Bíblia adverte: “Não aceites denúncia contra presbítero, senão exclusivamente sob o depoimento de duas ou três testemunhas (I Tm 5:19). Isto protege o líder de ataques pessoais e dificulta a ação de fofoqueiros maldosos que porventura queiram atingi-lo.

Porém, há na Bíblia espaço para a disciplina de um presbítero. Ele não é intocável e pode sofrer o julgamento da igreja. Em I Timóteo 5:20 lemos: “Quanto aos (presbíteros) que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que também os demais temam” (parênteses meus). O contexto nos mostra que Paulo ainda está falando dos presbíteros. Se o presbítero insistir em heresias ou condutas flagrantemente contrárias à Palavra de Deus? Se ele teimar em viver fora dos padrões bíblicos deve ser repreendido publicamente. A repreensão pública do pecado de um líder mostrará a congregação que há seriedade na liderança e aumentará a confiança na integridade do presbitério.

A razão para a repreensão pública é que o mau exemplo do presbítero pode ter o efeito negativo de contaminar outras pessoas na igreja. O mau exemplo de um líder pode servir de desculpa para que o rebanho de Deus leve uma vida espiritual relaxada.

Como somos dados a exageros, é bom lembrar que esta repreensão não deverá ser feita por qualquer um. Nestas alturas dos acontecimentos os outros presbíteros já deverão ter conversado com o presbítero que teima em manter uma atitude pecaminosa. Cabe a eles esta repreensão pública. Devemos lembrar que Paulo estava se dirigindo a Timóteo, que era um líder. Não me parece certo que qualquer um levante numa reunião da igreja para repreender a um presbítero.

 

A destituição de um presbítero

Uma pergunta que sempre surge é quanto à duração da função de um presbítero. É um cargo vitalício, pode ser perdido? Ao contrário do que se pensa este não é um cargo e muito menos um cargo vitalício. Sei de presbíteros que quando agiam errado e eram questionados usavam frases tais como: “Ai daquele que tocar a mão contra o ungido do Senhor!” Fazem isso para se impor pelo terror e não, como é bíblico, pelo exemplo. Como não lideram pelo exemplo lideram pelo terror psicológico.  Se por um lado não devemos nos rebelar contra um líder da igreja, pois como já vimos é pecado grave contra o Senhor. Por outro lado, se a igreja está vendo que o presbítero perdeu as qualificações bíblicas, ela deve procurar os outros presbíteros e, cuidadosamente, mostrar que ele está prejudicando o rebanho ao qual deveria cuidar.

Quando alguém perde as qualificações bíblicas, não há como a igreja mantê-lo como presbítero. Mas este deve ser um processo longo que deverá será regado em constante oração pedindo ao Senhor que ilumine o irmão de forma que ele possa voltar ao bom senso. Se isto acontecer a igreja deve se alegrar, mas caso não aconteça e ele teimar em viver em desacordo com a Palavra, deve, como vimos acima, ser repreendido publicamente e ser disciplinado. Sendo repreendido publicamente e disciplinado ele perde a condição de modelo. Perdendo a condição de modelo perde a condição de ser presbítero.

Tomei conhecimento do caso de um presbítero que já caiu no pecado de adultério por quatro vezes e ainda é conservado na função. Fico me perguntando que autoridade teria um irmão assim para repreender um membro que está neste pecado ou para ensinar a igreja sobre este assunto. Este é, para mim, o exemplo de um irmão que está desqualificado para exercer a função de presbítero.

Que o Senhor tenha misericórdia de nós, nos ilumine e nos ajude a estarmos em total dependência do Espírito Santo, nesta fase onde, em obediência à Sua Palavra, apontaremos e reconheceremos os presbíteros da nossa igreja local. Que nesta escolha a vontade do homem desapareça, seja tornada nula e prevaleça a vontade do Senhor.

 

 

APÊNDICE

Vários irmãos já me perguntaram como seria, na prática, feita a indicação, eleição e o reconhecimento de presbíteros na igreja local. Alguns me dizem que na sua localidade quem escolhe presbíteros é o presbitério sem que a igreja tenha qualquer participação. Outros dizem que na sua igreja acontece uma assembleia e alguém se levanta e aponta o fulano para ser presbítero e os outros, mesmo sabendo que tal irmão não preenche as qualificações bíblicas, ficam sem jeito de se manifestar e o prejuízo vem logo depois.

Sinceramente, nenhum dos casos acima me parece ser bíblico. O que vejo em Atos é toda a igreja participando do processo. Apesar de crer que isto era feito por eleição (não a eleição de qualquer um, mas dos que tinham as qualificações bíblicas), não encontro na bíblia detalhes de como fazer isso.

O que posso compartilhar com os leitores foi o que fizemos na nossa igreja. Chegamos ao ponto de, por algum tempo, ficar somente com um presbítero. Ele foi envelhecendo e já não podia fazer muita coisa na igreja. Ele mesmo ressaltou a importância da igreja reconhecer outros presbíteros. Ficamos em oração por uns dois anos até que chegamos ao momento de fazer a escolha. Vários de nós tinha medo de fazer da forma antiga que era a de qualquer membro se levantar e apontar alguém para a função. Sabíamos que caso isto acontecesse haveria o risco de dissabores, caso o apontado não tivesse as qualificações bíblicas, pois há pessoas sem o menor bom senso que fariam a indicação com base em amizade, empatia etc. e não no que a Bíblia diz.

A fim de evitar este tipo de situação, depois de muita oração e, entramos em entendimento sobre a seguinte forma: 1) Seriam dados estudos sobre o modelo bíblico de liderança; 2) Seria eleita uma comissão de irmãos espiritualmente maduros que avaliariam os indicados à luz de 1 Timóteo e Tito; 3) Em dia determinado seria dado a cada membro da igreja a oportunidade de indicar secretamente de um a três irmãos em cédulas (foi solicitado que, devido a seriedade do momento, ninguém falasse para outros quem indicaria para que não ficasse parecendo campanha política); 4) As pessoas indicadas foram procuradas por irmãos da comissão para saber se aceitariam a indicação, sabendo que se aceitassem seriam avaliados segunda os requisitos bíblicos, podendo inclusive se conversar com suas esposas e filhos; 5) Os que aceitaram a indicação foram avaliados pela comissão que ponderou todos os aspectos; 6) Os irmãos que foram previamente “aprovados” pela comissão foram levados para toda a igreja e foi dado um prazo de dois meses para que caso alguém tivesse conhecimento de algum fato que desabonasse algum deles comunicassem isto a comissão. Ninguém se manifestou e passamos ao último estágio. 7) Foi marcado um culto especial onde a igreja reconheceu os presbíteros e até ao momento não temos motivo de arrependimento quanto a isto.

Para que o leitor tenha uma ideia, foram indicados 12 pessoas, destas somente 4 aceitaram a indicação. Dos quatro, três foram aprovados pela comissão e levados para a igreja. Isto evitou constrangimentos, pois só quem sabe que o irmão não foi aprovado são as pessoas da comissão, ele e as duas pessoas que o indicaram. Já se vão seis anos e até o presente momento não temos motivos senão para agradecer a Deus pela decisão tomada pela igreja na dependência do Senhor.

 

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[1] Clericalismo é a divisão dos crentes entre clérigos e leigos, ordenados e não ordenados ao ministério. O clero detém o  desempenho de determinadas funções tais como celebrar a ceia do Senhor, batizar; pregar etc. Na maioria das denominações evangélicas o que dá acesso ao clero é o fato de se ter o diploma de um curso teológico.

 

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